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Tiago Mota Saraiva

O FMI ainda não proibiu o 25 de Abril nem eleições

O FMI quer aumentar o preço das casas, o FMI diminuirá o subsídio de desemprego e as pensões, o FMI vai despedir funcionários públicos, o FMI quer diminuir o número de juntas de freguesias e câmaras municipais... Todos estes títulos já fizeram capas de jornais o que me leva a crer que, das duas uma, ou o FMI está no terreno com uma agressiva equipa de assessores de imprensa, ou faz parte da estratégia de quem criou a ilusão que há uma negociação em curso. Também digno de nota, é a bonomia mediática que permite que tudo se declare sobre as intenções do FMI, sob a litúrgica concessão que estes representam uma certa forma de penitência por termos vivido em luxuria. Trabalhadores incansáveis, estes homens do FMI, franzem o olho a tolerâncias de ponto, feriados e fins de semana. Não interessa que sejamos dos países da UE que se trabalha mais horas por menos dinheiro. Produzimos pouco e a culpa é de quem trabalha. O mesmo governo que, há umas semanas, se ufanava com a sua execução fiscal diz-nos que já não há dinheiro para Junho. Curiosa coincidência que procura legitimar uma intervenção externa pré-eleitoral. Quando Jerónimo ou Louçã se declaram contra a entrada do FMI, há sempre uma Clara de Sousa, Fátima Campos Ferreira ou Judite de Sousa, que declaram em voz irada que não há dinheiro nem outra solução! O medo está instalado. Se, no pós-25 de Abril, apesar das dificuldades, havia uma inabalável esperança que se projectava um futuro melhor, nos últimos anos tudo se inverteu. Com o FMI aceita-se uma quimioterapia durante a qual devemos abdicar dos nossos direitos, soberania e integridade, com pouca esperança de recuperação. Uma quimioterapia que não se propõe eliminar o tumor das políticas neoliberais que nos conduziram ao estado actual, mas aprofunda-las com o auxílio dos mesmos agentes que criaram o tumor. Hoje, comemora-se o dia 25 de Abril de 1974. Dia em que os portugueses se libertaram de uma das mais longas ditaduras do séc. XX. Com o 25 de Abril todos os cidadãos maiores ganharam o direito ao voto e a decidir, quem e como, seriam os seus governos. Independentemente do que Cavaco, Sócrates, Passos ou Portas decidam assinar pelo país, a 5 de Junho e graças ao 25 de Abril, os cidadãos eleitores serão chamados para exercer um direito conquistado. Quem votar PS, PSD ou CDS, saberá que, mais assim ou mais assado, estará a votar em quem ajudou a criar o tumor e a legitimar uma quimioterapia que o aprofunda. Não será a altura ideal para experimentar votar diferente?

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