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No peditório de Manuel Alegre só dá quem quer.

Pelos vistos, a estratégia pessoal de Manuel Alegre de levar o PS a apoiar o candidato do Bloco de Esquerda, em vez de levar o Bloco de Esquerda a apoiar o candidato apoiado pelo PS está a dar par o torto.

Tomás Vasques

Hoje, a meio da tarde, circulou uma notícia segunda a qual o PS iria manifestar o seu apoio a Manuel Alegre, candidato apoiado pelo Bloco de Esquerda, após este formalizar a sua candidatura. Esta notícia foi desmentida em comunicado do Gabinete de Imprensa do PS de uma forma clara: "o Partido Socialista lembra que não tem qualquer reunião perspectivada, nem tem a intenção de a marcar, sobre o tema das eleições presidenciais". A primeira notícia não tinha fonte identificada, quanto ao desmentido, este foi feito pelo próprio PS. Também hoje, Edmundo Pedro, um histórico socialista, em declarações ao Rádio Clube Português, afirmou: "os socialistas estão contra Alegre". E concretizou: "O que eu sei é que a grande parte, a esmagadora maioria do Partido Socialista está contra o Manuel Alegre. O que eu sei, por experiência da minha secção, é que Manuel Alegre dentro do Partido Socialista não tem apoio praticamente nenhum". Pelos vistos, a estratégia pessoal de Manuel Alegre de levar o PS a apoiar o candidato do Bloco de Esquerda, em vez de levar o Bloco de Esquerda a apoiar o candidato apoiado pelo PS está a dar par o torto. Neste momento, três meses depois do poeta se disponibilizar para ser candidato à presidência da República, uma coisa é certa: Alegre não é o candidato presidencial dos socialistas, mesmo que a actual Direcção do PS, lá para Agosto ou Setembro, declare o seu apoio, o que ainda não é certo. Neste cenário, o poeta revela nervosismo: tanto afirma que "há mais vida para além das presidenciais", insinuando uma possível retirada de cena, como tenta emendar a mão, declarando que "a minha casa é o PS". Mas já é tarde: muitos socialistas têm a convicção de que Manuel Alegre já nada tem a ver com o PS e, caso fosse eleito, seria o protagonista de uma cisão no partido que lhe deu poiso durante trinta anos, legalizando o seu MIC e provocando, então, eleições antecipadas. Neste peditório só dá quem quer.