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Aparelho de Estado

Manuel Alegre: o filho pródigo do Partido Socialista

Bruno Sena Martins

Como resposta às negociações entre o BE e o PCP,  Manuel Alegre usou o palanque do congresso do PS para, qual oráculo, lembrar sonante:

"Não há soluções de esquerda sem o PS"

Para mim este singelo aviso sintetiza bem o erro que alguma esqueda cometeu ao apoiar Alegre nas presidenciais.  Manuel Alegre serve a dois senhores: está comprometido com os valores de esquerda e está comprometido com o PS (uma relação de amor incondicional, está bom de ver). Esse compromisso dúplice tem obrigado Alegre a anos e anos de contorcionismos tão maçadores como previsíveis: ora faz aproximações estratégicas à esquerda contestatária, ora volta com a consciência pesada à casa mãe do PS  (por muito que esta se afaste do que outrora jurou ser). A mim não me levou. Manuel Alegre será sempre o filho pródigo do PS e o maior capital que representa é, no fundo, servir àquele partido como o símbolo de esquerda pronto-a-servir.  

A esquerda que vai a eleições nas legislativas deve ter a inteligência de deixar Alegre entregue aos jogos narcísicos das suas dores de alma, à instrumentalização a que se sucessivamente se permite, e forjar um alternativa de governo que se imagine poder (e porque não uma coligação pré-eleitoral entre BE e PCP?).

 Se Alegre não imagina soluções de esquerda sem o PS, cabe à esquerda mostrar que pode sobreviver sem os movimentos pendulares tão bem interpretados por Manuel Alegre, o prodigioso filho do Partido Socialista. Não deve ser assim tão difícil.