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Expresso

Aparelho de Estado

Juntemos as mãos e acreditemos

Tiago Mota Saraiva

A propósito das declarações de Isabel Alçada em que assegurava que a Parque Escolar sempre tinha funcionado dentro da legalidade interrogava-me como um simples cidadão com acesso à internet podia, sem grande esforço, desmentir a ministra da educação. Há uns anos, qualquer detentor de um cargo público que se prezasse, ao fazer uma declaração sobre temas mais sensíveis, optaria por desenvolver um discurso elaborado que não desse azo a que as suas palavras pudessem ser imediatamente desmentidas.

Ora o que ganhámos em clareza do discurso político, não ganhámos em veracidade.

Serve esta ideia para reflectir sobre a clareza da carta ao Público de José Sócrates. Menosprezando os juízos de intenção sobre o jornal e os jornalistas - que um primeiro ministro não deve fazer, julgo que, nem a mais tenra alma esperançosa na bondade humana, acreditará que José Sócrates realizou 21 projectos "para amigos" sem auferir qualquer remuneração. O mais absurdo é que ninguém, nem o primeiro ministro, tem dúvidas que mais dia menos dia aparecerá um destes "seus amigos" a desmenti-lo afirmando ter pago pelos projectos. Mas isso não o preocupa.