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É cansativo mas talvez valha a pena

Diz o Lourenço que "será difícil negar que um homem que abusa sexualmente de um menino é homossexual.". Errado, não é mesmo nada difícil.

Ana Matos Pires (www.expresso.pt)

É mesmo, Miguel, santa paciência.

Continuando a a apelar à importância de definir conceitos, atentemos e analisemos a frase "o abuso homossexual de crianças é generalizado". Se definirmos "abuso homossexual de crianças" no sentido de um adulto abusar de crianças do mesmo sexo, então esta afirmação é verdadeira: o abuso sexual de crianças é generalizado; é perpetrada por homens na maioria dos casos; e uma minoria significativa de suas vítimas são meninos.

Os dados relativos aos homens que abusam de crianças do sexo masculino é frequentemente usada como arma de arremesso homofóbica - e no caso da Igreja Católica virou-se o feitiço contra o feiticeiro, digo eu. O que se passa na realidade é que a maioria destes abusadores de crianças não são homossexuais, no sentido da definição da sua orientação sexual saudável por adultos do mesmo sexo, são pedófilos - ou, sendo completamente rigorosa, sofrem de uma perturbação pedohebofílica (cf. definição da patologia no post lincado acima) - abusadores.

Se usarmos abuso de meninos por gays" e "abuso de meninas por lésbica" para identificar o abuso cometido por qualquer pessoa adulta com uma orientação homossexual que abusa de uma criança do mesmo sexo então a preposição "o abuso de meninos por gays" é rara, ainda mais rara sendo "o abuso de meninas por lésbicas".

A maioria dos pedófilos abusadores não são homossexuais, ou, dito de outra maneira, a maioria do abuso sexual infantil homossexual não é feito por homossexuais. Mais, uma grande maioria dos indivíduos com uma perturbação pedohebofílica não tem atracção sexual por adultos e é do sub-tipo misto: atraídos por meninos e meninas.

Já o escrevi e repito, a vivencia saudável da orientação sexual - homo ou hetero - não é causa de sofrimento ou prejuízo para o próprio ou para terceiros, quer dizer, não é uma patologia. Além do mais, e porque reparo que os conceitos sobre o que é uma sexualidade normal e gratificante estão meios "baralhadotes" na cabeça de muita gente, faço notar que uma mera atracção sexual por uma pessoa do mesmo sexo não configura uma homossexualidade, fiquem lá mais descansaditos.

E sim, a f. tem razão, "a maioria dos abusos ocorrem no seio das famílias -- o que é absolutamente verdade e revela que a maioria dos abusos ocorrem sobre crianças do sexo feminino, perpetrados por homens (ou seja, demonstra cabalmente a inexistência de relação entre abuso sexual e homossexualidade)".

PS: Agora não posso ficar aqui mas antes de sair só uma pergunta, alguém tem alguma ideia do que se passa (passou) na Igreja Católica - porque é dessa que se tem falado, mas se souberem noutras credos também fico agradecida -, do que se passa, perguntava eu, em relação ao abuso sexual de crianças do sexo feminino?