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Aparelho de Estado

Abortou mais um golpe de Estado

O que se passou à volta do processo Freeport durante estes últimos seis anos é um filme perverso, com muitos protagonistas e várias cenas hardcore.

Tomás Vasques (www.expresso.pt)

A investigação ao licenciamento de um empreendimento comercial, em Alcochete - o caso Freeport -, em 2001, manteve um primeiro-ministro debaixo de fogo cerrado durante seis anos.

Passados estes largos anos de investigação, onde se desenvolveram múltiplas perícias urbanísticas, ambientais e financeiras, executadas por peritos da Polícia Judiciária, e "analisada exaustiva e rigorosamente a prova carreada para os autos", o Ministério Público concluiu que não existiu qualquer acto ilícito no licenciamento do Freeport, nem qualquer crime de "corrupção activa e passiva, tráfico de influência, branqueamento de capitais e financiamento ilegal de partidos políticos". 

É à luz do que agora foi concluído pelo Ministério Público que se deve fazer um exercício indispensável, a bem da saúde democrática do regime: projectar o "filme" ao contrário, de trás para a frente. Percorrer, um a um, todos os textos de opinião, em jornais, revistas e blogues; revisitar os Jornais de Sexta-feira, de Manuela Moura Guedes; desenterrar o defunto "Independente" durante a campanha eleitoral de 2005; até chegarmos à origem do processo: a denúncia "anónima" feita por gente ligada a partidos políticos. 

O que se passou à volta do processo Freeport durante estes últimos seis anos é um filme perverso, com muitos protagonistas e várias cenas hardcore, tendo o enredo um chão comum: a incúria, a perfídia, a maledicência e, sobretudo, uma visão policial de fazer política. Não pode, por isso, ser varrido para debaixo do tapete.