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Aparelho de Estado

A força da realidade

A realidade teima em ser mais forte do que a ficção construída pelo Governo e alimentada pelo Presidente da República.

Adolfo Mesquita Nunes (www.expresso.pt)

A realidade do estado miserável da nossa economia não é novidade para ninguém embora se não espere um consenso sobre a forma de evitar o pior que está por chegar. O que parece ser novidade para muitos é a incapacidade dos acordos de regime, pactos de silêncio e outras manobras de ficção travarem a força da realidade.

De facto, o discurso da estabilidade tem muita força em Portugal, como se a estabilidade económica dependesse de um consenso sobre todo e qualquer tipo de políticas. Na verdade, neste pequeno país, mais importante do que desenhar uma boa política é desenhar uma política que não aborreça ninguém. Mas como as boas políticas costumam aborrecer uns quantos, a coisa está a chegar ao ponto de ruptura. 

E esta circunstância, que afinal desautoriza todas as chamadas vozes da razão e da estabilidade e mais não sei o quê da salvação nacional, deveria reabilitar o discurso daqueles que, então chamados de irresponsáveis, ousaram apontar as insuficiências deste Orçamento e deste PEC e diariamente evidenciaram a manifesta falta de vontade e firmeza políticas de avançar com medidas tão drásticas quanto a realidade que nos bate à porta. Infelizmente, estamos longe de assistir a essa reabilitação. Antes pelo contrário, ouviremos ainda, até que o Mundo inteiro nos caia em cima, o discurso da estabilidade e dos paninhos quentes e dos entendimentos de regime como se isso fosse o mais importante.

A solução para a crise não está no entendimento entre Sócrates e Passos Coelho. Está na vontade política de cortar radicalmente nas despesas e de abandonar o socialismo que nos governa há decadas.