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Sócrates também esteve no debate?

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Bernardo Ferrão

Bernardo Ferrão

Subdiretor da SIC

Se havia dúvidas sobre como o PS anda condicionado na oposição a Passos Coelho com o caso da Segurança Social, a falta de comparência de Ferro Rodrigues no debate quinzenal dissipou-as. O partido de António Costa não existiu. Ou melhor, existiu mas apenas para fazer figura de corpo presente.

Ferro Rodrigues exigiu um pedido de desculpas e nada mais. Como se já estivesse tudo esclarecido.

É claro que se pode sempre supor que a estratégia socialista passa por deixar o PM queimar em lume brando. Mas o que se lê sobretudo na (o)posição do PS é que para o partido é demasiado perigoso entrar no jogo dos casos (graves, por sinal). A "lama" salpica par todos os lados. E o PS tem um ex-primeiro-ministro e ex-líder socialista preso preventivamente. Deixar resvalar o debate, alimentando-o, para esse passado trará Socrates para a primeira linha da discussão mas também para as capas dos jornais (como aconteceu na semana passada) e esse é um risco que Costa não controla e quer evitar ao máximo.

O PS vive assim um sério e desconfortável dilema. Se não ataca é porque não ataca. Mas se atira demais leva com o passado e com o presente de Sócrates.

Passos Coelho seguirá em frente, dando o assunto por encerrado. E o PS agradece porque prefere claramente atacá-lo pelos assuntos da governação. Mas deste debate os socialistas não se vão esquecer: não só porque, na falta de habilidade de Ferro, tiveram, em alguns casos, de aplaudir a intervenção do Bloco de Esquerda, mas também porque muitos terão pensado se Seguro não teria feito melhor. Com outra "dose" e com outro "ritmo".