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Assis volta, estás perdoado!

Bernardo Ferrão

Bernardo Ferrão

Subdiretor da SIC

Há três semanas, no congresso de Lisboa, Francisco Assis não conseguiu subir ao palco para defender a inevitabilidade da aliança com a direita. O discurso de Assis estava claramente em contracorrente com o tom "esquerdista" que Costa quis imprimir à festa sob a égide da palavra "confiança". E por isso Assis foi embora. Mas ontem voltou... no discurso de Costa.

Na alusão que fez ao bloco central de Soares de 85, Costa deu um passo em frente no caminho defendido por Assis. E não terá sido por acaso. Mesmo que agora venha corrigir o que disse, alegando que "não 'recuperei' a fórmula política do Bloco Central, muito menos a pensar em 2015", o que foi dito era mesmo para ficar dito. Aliás, para elogiar Soares, como se justificou depois, Costa precisava de recuar a 85?

A referência a esse passado e a sua posterior correção mostra António Costa no seu melhor ou pior (como preferir o leitor). É o pica aqui, pica ali. É o abraço a Rui Tavares seguido do discurso do "projeto partilhado" à porta de Passos Coelho. É o que se "ri" do discurso da "esquerdização". São as "caravelas" da TAP. É o "Pedro e o Rui". É o "bloco central". É o pisca à direita e o pisca à esquerda.

Costa tornou-se um mestre na arte do equívoco. Alimentá-lo é alimentar também a falta de compromisso. Mas será esta a melhor estratégia para convencer o eleitorado do bloco central? Afinal é deles que Costa precisa para chegar à maioria absoluta. Não é à esquerda que o consegue. Para a próxima talvez seja importante deixar Assis subir ao palco.