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Trump, o Frankenstein da comunicação social

Como a comunicação social, Trump alimentará novelas de pequenos incidentes, politicamente irrelevantes mas suficientemente idiotas para terem impacto mediático. Distraindo todos com pequenas mentiras, poderá governar sem qualquer verdadeiro escrutínio em relação às grandes mentiras. Os jornalistas que ainda queiram fazer o seu trabalho serão tratados como fazendo parte do sistema, inimigos políticos a quem os seus apoiantes nem darão ouvidos. Trump pode fazer tudo isto porque, transformado, no início da sua carreira política, em personagem política por uma comunicação social viciada em figuras grotescas que garantam audiências, já não precisa dos jornalistas para nada. Chegam-lhe os posts nas redes sociais, que a própria comunicação social não se cansa de reproduzir. Trump usou e usa contra os jornalistas as armas que eles próprios lhe foram oferecendo, garantindo assim, através da neutralização do escrutínio aos seus atos, total impunidade para si mesmo

A primeira conferência de Sean Spicer como secretário de imprensa de Donald Trump foi esclarecedora sobre o que será a relação do Presidente com a comunicação social nos próximos quatro anos. Num tom agressivo, sem direito a perguntas no final, Spicer veio descompor os jornalistas a propósito de assuntos tão importantes para o futuro do mundo e do País como o número de pessoas que assistiram à tomada de posse e um desmentido que o busto de Martin Luther King na Casa Branca teria sido retirado. No primeiro caso, acusou os jornalistas de enquadrarem as fotos de forma intencional num tweet para minimizar o apoio que recebeu.

Depois disso, os episódios sucederam-se. Donald Trump falou na CIA sobre estes assuntos de Estado, com declarações lunáticas, a comunicação social foi verificar os factos expostos e confirmou que não há qualquer base para dizer, como disse a entourage de Trump, que aquela foi a tomada de posse com mais assistência – pelo contrário – e a ex-gestora da campanha do Presidente, Kellyanne Conway inventou uma nova expressão para contornar o que são mentiras: “factos alternativos”.

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