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Expresso

E os Orçamentos, António Costa?

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O que o líder do PS disse à saída da reunião com Cavaco Silva é que o Presidente da República não deve perder mais tempo. O PS já tem “as condições reunidas” para um acordo com BE e PCP e por isso o governo minoritário de Passos Coelho – se o PR decidir indigitar o líder da direita – será inviabilizado pela maioria de esquerda.

Ou seja, António Costa quer pôr em prática aquilo que prometeu na noite das eleições: só deita abaixo se tiver alternativa. Com esta tomada de posição, dá um passo em frente e encosta bloquistas e comunistas à parede. Porque não basta haver condições para fazer um governo do PS, falta garantir um compromisso para a legislatura com Jerónimo de Sousa e Catarina Martins. E é isso que o líder socialista quer ver formalizado.

A jogada é de risco. De alto risco. E não é por acaso que em nenhum momento se referiu expressamente ao Orçamento. Costa faz esta espécie de ultimato à esquerda em plenas negociações. E as notícias que chegam é que se com o BE as conversas estão bem encaminhadas, com o PCP subsistem as reservas.

Costa ganha tempo, até ao momento em que o parlamento leva a votos a rejeição do governo de direita – mais uma vez, lembro, se Cavaco decidir indigitar Passos Coelho. Agora a pressão está sobre os partidos da esquerda. Se o acordo não acontecer, Costa poderá sempre dizer que com a esquerda não há compromissos possíveis e remete-se, a ele e ao PS, ao lugar de partido da oposição, viabilizando um governo de Passos/Portas.

Nesta altura, e com os dados que conhecemos, o acordo com as esquerdas parece mais perto. A inviabilização de um governo de direita, a primeira etapa, estará consensualizada. Falta a segunda etapa, formalizar o compromisso para 4 anos, sem pôr em causa as metas orçamentais assumidas pelo país. É aqui que permanece a nebulosa.

Seria estranho que BE e PCP não aprovassem um orçamento depois de viabilizarem o governo socialista. Mas, na verdade, ainda me custa a acreditar que sobretudo o PCP tape os olhos à austeridade que ainda está para vir.