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Em quem confia mais, em Paulo Portas ou em Paulo Portas?

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Esta pergunta vem a propósito de uma outra que Paulo Portas deixou esta terça-feira no comício de Setúbal: “Em quem confiam mais, em Maria Luís ou Teixeira dos Santos?”. Depois reformulou: “Preferem Maria Luis ou Mário Centeno?”. Pode rir à vontade. De facto, só quem não tem um mínimo de memória não achará piada a (mais) este malabarismo político. E nisso, tire-se lhe o chapéu, Paulo Portas é um mestre.

É compreensível, e porque estava no distrito onde Maria Luís é candidata, que Paulo Portas queira puxar pela ministra. Mas achar que já ninguém se lembra que a crise do verão de 2013 aconteceu exatamente porque Portas não queria Maria Luís – preferia Paulo Macedo – no lugar de Vítor Gaspar é tomar-nos a todos por tolos.

Mais do que o juntar na mesma fotografia a ministra, o ex-ministro e o sabe-se-lá-se-vai-ser-ministro, a questão está em quem o faz.

Os políticos podem mudar de opinião. Acontece a todos. O problema é quando mudamos demasiadas vezes, apenas e só, ao sabor das circunstâncias. Paulo Portas habituou-nos ao seu pragmatismo: o que interessa é o momento. Aliás, o exercício de comparação que agora fez, entre Centeno e Maria Luís, não é novo. Na campanha para as legislativas de 2011, numa entrevista ao Expresso, o líder do CDS recorreu ao mesmo mas com outros protagonistas: “Pergunto com toda a franqueza: as pessoas preferem Teixeira dos Santos, Catroga ou António Pires de Lima? Assunção Cristas e Cecília Meireles ou Marco António?”

A política é de facto muito irónica (para não dizer cínica) e Portas sabe, melhor do que ninguém, que também dá muitas voltas. Hoje coligados com uns, amanhã, quem sabe, de mão dada com os nosso inimigos.

Esta atuação pode garantir a sobrevivência e até crescimento político, mas tem consequências. No debate televisivo que teve, há duas semanas com Catarina Martins, líder do BE, a certa altura Portas pede à moderadora: “Acredite na minha palavra!”. Mas qual palavra? A de Paulo Portas ou a de Paulo Portas?