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Expresso

Passos corrigiu Passos. E Costa tropeça num programa escondido

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No espaço de uma semana inverteram-se os papéis. Passos esteve melhor e Costa mostrou dificuldades quando a discussão foi ao pormenor

Não se pode dizer que os contadores estejam agora a zero - até porque o último debate teve uma audiência espetacular e este não terá os mesmos números, ou seja terá outro impacto – mas Passos conseguiu corrigir o que não fez no último frente a frente. Provando, aliás, que a estratégia que levou na semana passada para as TV estava completamente errada.

Desta vez, o líder da coligação dominou o debate ao pôr o programa socialista no epicentro da discussão. Preparou-se e já não subestimou o adversário. Conseguiu falar da Europa e explorar o Syriza colando-o ao PS – embora Costa já várias vezes se tenha demarcado da estratégia de Tsipras considerando-a “errada”. E agarrou bem a atrapalhação de António Costa, que não quis (ou não sabia) explicar a poupança de mil milhões de euros nas condições de recurso das pensões mínimas. Foi nesse momento que Costa perdeu os argumentos para poder atacar os cortes de 600 milhões de euros nas pensões da coligação.

Passos também marcou pontos quando encarou o adversário com um desafio muito concreto para a Segurança Social: “Quer ganhe, quer perca as eleições” – e atente-se no “quer perca”. Com este passo em frente, o líder da coligação não só mostrou que pode ficar no PSD, mas, mais do que isso, conseguiu pôr o PS a recusar qualquer tipo de entendimentos. Costa preferiu continuar a olhar para trás, repetindo a cassete da reforma que o PS fez em 2007. Mas diga-se que Passos também continua a não explicar como quer compensar os cortes na Segurança Social. A 5 de outubro, e a confirmaram-se todas as sondagens que indicam um empate técnico, o diálogo terá de fazer-se. Os entendimentos irão certamente impor-se, destrunfando a retórica que tomou conta do debate político.

E Sócrates? Perguntaram muitos. Desta vez não esteve no debate. A direita percebeu que, mais do que o PS, foi ela a mais prejudicada com a ladainha socrática que tomou conta do último frente a frente. E na verdade, o ex-primeiro-ministro a contas com a justiça já vale pouco neste campeonato. A direita tirou-o do discurso. E Costa apagou do mapa da sua Lisboa o 33 da rua Abade Faria.