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Expresso

CavacExit (ou como 19-1=18)

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Quando, há dias, foi questionado sobre os perigos de um Grexit, Mario Draghi respondeu com uma enorme dúvida: Estaremos a entrar em águas desconhecidas. Mas por cá, Passos Coelho e Maria Luís sossegavam-nos com o conforto da nossa almofada. “Temos os cofres cheios”. E Cavaco Silva compôs agora a mensagem com a sua lógica de grande complexidade: “Se a Grécia sair ficam 18”.

Não há nada como ter um Presidente bom de contas. De facto 19 menos 1 são 18. Mas talvez seja importante lembrar que, no que toca a certezas aritméticas (já para não falar das políticas), as contas de Cavaco Silva nem sempre terminam em resultados tão simples.

Lembro-me da sua declaração sobre o BES e de como os portugueses podiam confiar no banco de Ricardo Salgado. O que seria de nós sem aquela certeira convicção presidencial. Mas não nos prendamos tanto à realidade.

Ironias à parte, o pior é que, além da sua contabilidade caseira, Cavaco Silva também quis dar um murro na mesa. Há dias dizia: “Não pode haver exceções para nenhum país”. Se o assunto não fosse tão sério, daria para rir. Então e os incumprimentos dos défices da Alemanha e da França? E as alterações que o nosso memorando foi sofrendo ao longo dos anos? Mas, uma vez mais, que importa a realidade quando temos toda uma narrativa?

Um olhar atento percebe que o Governo começou outra vez a disparar a sua ladainha: Portugal não é a Grécia. E agora, com a maior das naturalidades, Cavaco faz o resto: Abre a porta da saída. 19-1=18. A conta é simples. E simplista. O insucesso dos gregos favorece o executivo de Passos e Portas e complica a vida ao PS. A leitura é esta. Mas essa é uma análise de curto prazo. Ninguém sabe no que se pode tornar um Grexit. Nem mesmo Cavaco Silva. 

Independentemente da irresponsabilidade dos gregos e do radicalismo dos credores, porque esta é uma história de culpas partilhadas, o que nos está a acontecer a todos, europeus, é demasiado complexo. São as tais águas desconhecidas e certamente turbulentas que já hoje se começaram a levantar.

A Europa tem dado uma triste imagem de si própria. A política amochou e deixou-se contaminar por técnicos e contabilistas encartados. E o Presidente da República deu hoje mais um contributo nesse sentido. Colando-se a um dos lados: o desacordo. Perigoso e incendiário, sobretudo porque ainda se alimentam esperanças. (Se houver acordo o que dirá?) Por isso, em tempo de contas e de tão fraca representação, deixem-me propor-vos um exercício: Quando Cavaco Silva sair…O resultado é simples, descubra você mesmo.