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Expresso

Foi você que pediu um programa? Qual é a pressa?

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A coligação perdeu tempo (e fez-nos perder tempo). Demorou a resolver as questões internas, e a firmar o acordo que os leva de mãos dadas às legislativas, e atrasou-se no que realmente interessa: num renovado projeto para o país. E assim, o PS ganhou terreno. Outra vez.

E que terreno. O cenário macroeconómico primeiro e o projeto de programa socialista depois puseram o país a discutir os planos de António Costa. E a coligação de Governo relegada para o papel da oposição, a criticar… a oposição.

PSD e CDS dirão, como já dizem, que é com propostas para o futuro que se ganham eleições. Que os eleitores não votam no passado. Permitam-me discordar. E se é assim, porque insistem, como fizeram na apresentação das bases programáticas, no que lá vai? Na troika. No resgate. Nos desvarios da governação socialista. Nos estragos que herdaram.

Para quem tinha alguma expectativa (e eu não tinha) sobre as ideias da direita, desiludiu-se. A AD trouxe-nos um cromo repetido: o programa de estabilidade. E quis entreter-nos com uma mão cheia de desafios e garantias que nada têm de concreto. Um exemplo: O que fazem à Segurança Social? Silêncio. Por agora, nada. Nem uma proposta sobre um assunto tão relevante.

Passos Coelho e Paulo Portas vangloriaram-se. Ao contrário do PS não fazem promessas (mas já as fizeram). Ninguém as exige. O que se espera é que digam o que querem fazer daqui para a frente. Que apresentem ideias. Que nos expliquem porque merecem continuar.

Por mais eloquentes que sejam as palavras dos dois líderes partidários, isso só não chega. A coligação pôs-se a jeito. Quis marcar terreno, antecipando-se ao programa do PS, mas mostrou ao país inteiro quão atrasada está. E pior, sem nada para dizer.