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Expresso

António Costa deu cabo do bicho papão?

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A Direita tem repetido o discurso: O regresso do PS ao poder traz consigo a irresponsabilidade, os grandes interesses, e o gasta-hoje-que-se-paga-amanhã. Se há colagem que se tem feito à governação socialista – alimentada, é verdade, pelo estado das contas públicas em 2011 – é que o partido sempre que passa pelo poder deixa o Estado depenado. E sempre ao sabor das grandes obras públicas e dos investimentos sem retorno.

É neste quadro que a proposta de António Costa assume particular relevância. O líder do PS quer que as grandes obras públicas sejam aprovadas no Parlamento por uma maioria de 2/3. Desta forma, Costa não só põe as obras públicas na agenda, assumindo politicamente que, de facto, são essenciais para o desenvolvimento do país, como, ao mesmo tempo, propõe um verdadeiro pacto de regime. Ou seja, as grandes obras, os grandes investimentos, só devem avançar com o ok do Bloco Central. E alinhadas com o ciclo do financiamento europeu.

E a maioria está disponível? A bola está agora do lado do PSD/CDS. Sendo certo que ao avançar com esta medida, que o ajuda a afastar-se das acusações de irresponsabilidade, e ao assumir que não há projectos para novas obras na próxima legislatura, Costa destrunfa a maioria. E mais importante lança um importante sinal para o entendimento. Um primeiro entendimento.

É verdade que ambos os líderes já disseram que não estão disponíveis para nada que não seja governarem sozinhos. E de preferência com maioria. Mas as sondagens apontam para tudo menos para esse cenário absoluto. Os entendimentos terão de existir. Cavaco Silva há muito que o anda a dizer. Se começarem pelas obras públicas tanto melhor. Para todos.