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Andamos nisto

Bernardo Ferrão

O fim de ciclo do Presidente

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Para quem esperava alguma coisa do discurso de 25 de Abril de Cavaco Silva, desiludiu-se. O Presidente jogou à defesa, falando de tudo um pouco mas dizendo quase nada.



Referiu o Estado Social, o mar, a Administração Pública, a Justiça, o Serviço Nacional de Saúde. Ou seja, quis deixar um caderno de encargos para o futuro, todos muito importantes é certo, mas sem se comprometer com uma verdadeira prioridade, com um caminho claro para o país. E podia e devia tê-lo feito.



Do Presidente espera-se muito mais do que um conveniente apontar em todas as direções.



A desilusão explica-se porque este era o último discurso de 25 de Abril do Presidente. Era o seu último discurso verdadeiramente político. A intervenção de 10 de Junho deverá ser mais contida dada a proximidade das eleições e porque a campanha estará em pleno. E o de 5 de outubro, só será político se as eleições acontecerem antes. Ou seja, a partir de agora a atuação de Cavaco Silva ficara mais reservada. Por isso se esperava mais.



Mas o que tivemos foi o habitual: um já estafado apelo aos consensos e uma repetida crítica às querelas partidárias. Um discurso aliás que interessa à maioria. Na semana em que o PS revelou a sua alternativa, Cavaco Silva mostrou, uma vez mais, de que lado está no jogo partidário.



Pedir entendimentos tem de ser muito mais. E Cavaco Silva chega aos seus últimos dias sem autoridade para os exigir e muito menos para os fazer porque na verdade não os conseguiu. A sua palavra, como hoje se viu, está mais frágil do que nunca. E esse pode ser um sério problema quando nos confrontarmos com a indefinição que deverá sair das próximas eleições.



Mas não há volta a dar, é este Presidente, politicamente diminuído, que dará posse ao próximo Governo. Num fim de ciclo que hoje ficou evidente.