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Expresso

Andamos nisto

Bernardo Ferrão

Agora é convencer o país

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Foram vários meses à espera mas finalmente conhecemos os planos dos economistas chamados pelo PS. E a partir de agora tudo muda. O debate fica mais claro. Eleva-se a fasquia. A campanha começou. 

O plano socialista, verdadeiramente à esquerda (para descolar de forma clara dos "blocos centrais"), aposta sobretudo em dois pilares: devolver rendimento aos portugueses e criar emprego. Dois problemas que se atravessam perigosamente no caminho do Governo. O desemprego cresce, destruindo a narrativa que Passos e Portas querem levar para os palcos da campanha, e nunca como nestes anos sentimos as carteiras tão vazias.

António Costa promete "um virar de página", um "regresso à normalidade". Um discurso positivo, um novo paradigma. E é esse o maior desafio que a partir de hoje se coloca à direita. Será que o medo e o papão do passado ainda dão votos? Este plano que agora tem marca socialista, e que traz propostas que todos gostam de ouvir, quis mostrar ao país inteiro que afinal há uma alternativa, sobretudo depois do massacre fiscal a que o país foi sujeito nos últimos anos. Mas o problema, até porque o passado nos ensinou a ter muitas cautelas, é como é que se paga tudo isto? O que é que se vai fazer com a Segurança Social? Que estabilidade se garante ao investimento e às empresas mexendo outra vez no IRC (e rasgando o acordo do PS)? E, ao incrementarmos o consumo, não se corre o risco de aumentar excessivamente as importações? E a reposição dos salários não devia ser feita toda em 2016? 

Os economistas deram-nos algumas respostas. O debate e a negociação política saberão encontrar outras. António Costa garantiu no fim de semana que a sua "palavra é honrada" - agora só tem de convencer o país. Os portugueses já sabem que Passos não cumpriu as promessas que fez na campanha. E Costa será diferente? Nas próximas legislativas, a confiança também vai a votos.