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Amnistia Internacional

Fim à opressão dos activistas saarauís em Marrocos

A Amnistia Internacional apelou às autoridades de Marrocos para acabarem com a opressão e intimidação de activistas saarianos, agora que se inicia a quarta semana de greve de fome de cinco dos seis activistas detidos em Outubro passado, em protesto para com a sua detenção sem julgamento.

Amnistia Internacional

Os activistas em greve de fome são algumas das vítimas de opressão e intimidação verificadas em relação aos visitantes dos campos de refugiados na Algéria administrados pela Frente Polisário, movimento que reivindica a independência do Saara Ocidental com um autoproclamado governo no exílio.

Um grupo de activistas foram agredidos por cassetetes no Aeroporto de Laayoune na última quarta-feira, quando tentavam regressar ao Saara Ocidental vindos do campo de refugiados de Tindouf.

Os seis prisioneiros em greve de fome estavam entre sete dos activistas saarauís detidos a 8 de Outubro de 2009 no Aeroporto Mohammad V em Casablanca, quando regressavam ao Saara Ocidental vindos de uma visita ao campo de refugiados de Tindouf, na Algéria.

"Estamos cada vez mais preocupados com a saúde dos detidos à medida que eles prologam o seu protesto," afirma Malcolm Smart, director para o Médio Oriente e Norte de África da Amnistia Internacional.

"Consideramo-los prisioneiros de consciência detidos em virtude do exercício pacífico da sua liberdade de expressão e apelamos ao governo marroquino para que sejam imediata e incondicionalmente libertados."

Cinco dos seis activistas iniciaram a greve de fome a 18 de Março em protesto contra a sua continuada detenção sem direito a julgamento e o sexto juntou-se a eles no início de Abril.

Apesar de todos eles serem civis, encontram-se sob a jurisdição do Tribunal Militar, com acusações de destabilizar a segurança nacional e a integridade territorial de Marrocos. Mas apesar de se terem passado seis meses desde a detenção, ainda não foi marcada qualquer data de julgamento.

Os seis homens (Ahmed Alansari, Brahim Dahane, Yahdih Ettarouzi, Rachid Sghir, Ali Salem Tamek, bem como Saleh Labihi, que se juntou à greve de fome na segunda-feira passada) encontram-se detidos na prisão de Salé, perto de Rabat, longe das suas casas no Saara Ocidental. 

Os cinco homens que se encontram em greve de fome há mais tempo estão demasiado fracos para deixar as suas celas e receber visitas dos seus familiares. A única mulher do grupo de detidos, Dakja Lashgar, foi libertada em Janeiro por motivos de saúde.  

Na quarta-feira passada, outros 11 activistas saarauís foram atacados à chegada do Aeroporto de Laayoune, vindos de uma visita aos campos de refugiados de Tindouf, por um grupo de pessoas que entoavam slogans de apoio à subjugação do Saara Ocidental por Marrocos.

A multidão acusava-os de "traição" por defenderem a autodeterminação do povo do Saara Ocidental, que Marrocos anexou em 1975. Alguns deles agrediram os saarauís à frente de agentes policiais que nada fizeram para intervir.

Ainda antes, a 9 de Março, outro grupo de activistas saarauís que tinham regressado recentemente de uma visita a Tindouf foram espancados por agentes policiais, que recorreram ao uso de força excessiva para acabar com uma manifestação em Laayoune de apoio à causa da autodeterminação do Saara Ocidental. 

Os saarauís chegaram originalmente aos campos de refugiados de Tindouf vindos do Saara Ocidental em 1975 e 1976, depois de Marrocos ter anexado o território. O governo argelino estima que o número de saarauís presente nos campos é de 165.000. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados dá apoio às "90.000 pessoas mais vulneráveis presentes nos campos". Um cessar-fogo entre Marrocos e a Frente Polisário está em vigor desde 1991.

Este texto é da inteira responsabilidade do autor e da entidade representada.