Siga-nos

Perfil

Expresso

Amnistia Internacional

Apelo em nome de Mohamed Fahsi

Conheça mais um caso incompreensível, quando se comemora o Dia Internacional de Apoio às Vítimas de Tortura

Se lhe falassem num país onde a legislação permite manter alguém detido indefinidamente, em regime de incomunicabilidade, sem qualquer obrigatoriedade de notificar a família sobre a detenção, sem que tenha que ser presente a um juiz antes de cinco dias, sem acesso a advogados ou médicos, onde é que a sua mente o levaria? E se lhe dissessem que é algo que acontece mesmo aqui ao lado, na vizinha Espanha, acreditava?

Mohamed Mrabet Fahsi é a prova viva de que tudo isto é verdade. Detido em sua casa, perto de Barcelona, na madrugada de 10 de Janeiro de 2006, foi levado por agentes encapuzados da Guardia Civil, vendado, sob suspeita de colaboração com um grupo armado terrorista. Foi transportado para Madrid, onde permaneceu no Centro de Detenção da Guardia Civil de Guzmán el Bueno por quatro dias. 

Durante esse período, foi mantido numa sala que não lhe permitia identificar o dia ou a noite e sujeito a várias formas de tortura e maus tratos. Além de ameaças verbais, islamofóbicas e de natureza sexual contra a sua pessoa e a sua família, Mohamed foi obrigado a permanecer de pé até à exaustão, impedido de dormir, sujeito a frio extremo e espancado, repetidamente, enquanto era drogado com substâncias alucinogénias.

A certa altura, o detido recebeu a visita de uma médica forense a quem tentou provar que estava a ser vítima de maus tratos. Respondeu-lhe que era impossível e que o seu relato era um exagero. Não teve direito a outro médico.

O advogado nomeado para a sua defesa contou à Amnistia Internacional que apenas lhe foi permitido encontrar-se com o seu cliente algumas horas antes se apresentarem ao juiz e que durante o interrogatório policial não lhes era permitido dirigirem a palavra um ao outro.

Quatro dias depois da detenção, Mohamed Mrabet Fahsi foi levado ao Tribunal Criminal nacional, onde o juiz recomendou a sua prisão preventiva. Foi então levado para a prisão de Soto del Real a 14 de Janeiro de 2006, quando pôde então contactar com a sua família, que, refira-se, até aqui não sabia do paradeiro do detido. Continua hoje, e há mais de três anos, em prisão preventiva, sem acesso a julgamento. Apesar das alegações de maus tratos terem sido comunicadas ao juiz, ao Procurador-Geral de Madrid, ao Ministro do Interior e ao Primeiro-Ministro, todos se recusaram a iniciar investigações.

E tudo isto aqui ao lado, em Espanha.

Quando se assinala o Dia Internacional de Apoio às Vítimas de Tortura, a Amnistia Internacional está a lançar uma web action em nome de Mohamed Mrabet Fahsi, apelando às autoridades espanholas para que façam da detenção em regime de incomunicabilidade uma coisa do passado. É ainda pedido que sejam desencadeadas investigações à alegada tortura. 

Assista ao vídeo com a mulher do prisioneiro e Participe! Mohamed Mrabet Fhasi precisa de si!

 

Este texto é da inteira responsabilidade do autor e da entidade representada.