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Expresso

100 reféns

Vou ali arredondar para a Madeira

Se continuarmos a "arredondar para a Madeira" cada vez que vamos ao supermercado comprar cem gramas de fiambre é provável que em menos de um ano a Madeira venha a reclamar a independência.

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

Já perdi conta das vezes que me perguntaram "deseja arredondar para ajudar a Madeira?" E uma pessoa vai dizer o quê? Olhe não, hoje não me apetece arredondar porque preciso dos 40 cêntimos para dar ao arrumador. Ou para comprar uma raspadinha.

E depois ficamos com uma fila e ainda a menina da caixa a olhar para nós como se fossemos o Goebbels com um pacote de Sveltesses de morango na mão.

Provavelmente com os arredondamentos que já fiz para a Madeira tinha comprado uma ilha no Pacifico. Ou uma casa em Lanzarote. No penhasco mesmo ao lado da rocha onde o Saramago tem a vivenda.

É que se continuarmos a arredondar desta forma, a Madeira, além de reconstruída ameaça tornar-se na região mais rica do país. Não é que eu tenha algo contra isso, a Madeira tem o direito a ter as aspirações que entender, mas quer-me parecer que não seria bem este o objectivo na génese do movimento solidário.

Será que não há outras regiões,que mesmo sem aquele nível de destruição provocada por uma catástrofe ambiental, precisem de uma ajuda desta natureza para ultrapassar problemas graves?

Não seria altura de começarmos todos a arredondar para outra parte qualquer?