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100 reféns

Viva a nossa energia com António Mexia

A solução para impedir Mexia de ganhar o euro milhões todos os anos é comprarmos um gerador, começarmos a ler e cozinhar à luz das velas - Medieval style - e ainda assim esperar que António não atinja os objectivos.

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

Mexia mexe-se bem. Tão bem que ninguém o consegue parar, ou não trabalhasse ele no ramo energético. Quando toca a empresas públicas ou empresas privadas com roupa interior pública duvido mesmo que haja quem saltite com mais sucesso que António. Apresenta sempre resultados positivos e até ganha prémios internacionais de Gestão made in USA. E bem, dadas as circunstâncias.

Há que premiar quem apresenta resultados. Até porque deve ser difícil fazê-lo quando se é a praticamente a única empresa a fornecer um bem essencial à vida diária de milhões de pessoas. Serviço pago e muito bem pago pelos que têm esta estranha mania de ter de usar a electricidade. E é isto que choca: achar-se extraordinário que uma empresa que presta quase em exclusivo um serviço do qual todos necessitamos consiga gerar lucros e resultados acima da média. Não deveria ser o comum? Em cima de uma bicicleta eu também sou o melhor da minha rua a andar a pé. E Mexia não é principescamente pago para ter resultados? Se os supera óptimo, agradeçam-lhe, dêem-lhe um aperto de mão ou bilhetes para a Ópera e não milhões de euros.

Vivemos bem sem comprar o jornal, sem ver a Sportv, sem as Belgas de chocolate, a sopinha de agrião ou sem o tabaco. Agora se a luz falta por qualquer motivo somos remetidos à Idade Média. E pagar milhões a uma pessoa só porque ela apresenta resultados como CEO da empresa em Portugal capaz de nos carregar o telemóvel ou fazer a varinha mágica funcionar parece-me um bocadinho exagerado. Até porque eu tenho um carregador de ligar ao isqueiro e a bateria do carro não é da EDP, é da BOSH.

Se imaginarmos alguém que tenha um quase monopólio de venda de pneus junto a uma estrada esburacada será transcendente ter resultados acima do esperado? Ou da venda de garrafas de água no deserto? Se Mexia não apresentasse sempre resultados acima da média seria provavelmente a pessoa mais incompetente a trabalhar neste país, porque tem todas as condições para o fazer e não tem nem teve um verdadeiro mercado concorrencial. Comparar a ENDESA à EDP é como comparar um Minimercado de bairro ao Jumbo. E nunca vi os primeiros fazerem mossa ou sequer cócegas aos segundos.

Uma só pessoa ganhou num ano em prémios e ordenado um valor aproximado ao que uma empresa como a TAP apresentou de prejuízo no mesmo período. Ficou a perder por 400 mil, a TAP entenda-se, porque os números de Mexia são todos positivos. O Ronaldo ganha muito mais, dizem alguns. Pois ganha, e bem, porque o Mexia que eu saiba não marca livres a 30 metros da baliza.

Segundo Mexia "as pessoas devem ser confrontadas quando não conseguem entregar o que é proposto". Concordo. Faz sentido. Até porque acabei de ligar o interruptor e o candeeiro respondeu positivamente. O que mostra que Mexia está em cima dos acontecimentos e ajuda-me sempre que preciso de atravessar o corredor durante a noite sem bater com o queixo numa prateleira ou levar com uma jarra da Vista Alegre no lombo. Mexia "entrega" bem e eu também lhe entrego bem ao fim do mês. Religiosamente ou ele deixa de me "entregar" e lá vou eu ao Hiper China comprar velas.

Incomodam os valores pagos pelos accionistas da EDP aos gestores de topo da empresa, ainda que considere que os contratos são para ser cumpridos e que Mexia não tem culpa que lhe paguem este exagero. Numa época em que se pedem tantos sacrifícios a muitos, não deixa de ser uma vergonha o que alguns auferem.