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100 reféns

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

Sai uma licenciatura com duas pedras de gelo

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Pois é, em Portugal estamos sempre a aprender. Ou melhor, todos menos o "Dr." Relvas. Limpou 32 disciplinas (de um total de 36) sem ter de se sentar numa sala de aulas. Apenas a "riquíssima" e "vasta" experiência profissional traduzida em equivalências a disciplinas do curso. Ora isto não é de quem tenha alguma coisa a aprender. Pelo contrário, o "Dr." Relvas só tem a ensinar. Ele sabe tanto.

Quatro exames, 1777 euros e um relatório depois e está feito. A partir de agora é doutor. Como se fosse vergonha não ter uma licenciatura. E que valor real tem esta licenciatura? Eu digo-vos, e peço desde já desculpa pela expressão que vou utilizar mas sou licenciado em calão e gíria popular (anos de atividade deram-me equivalência): não vale a ponta de um chavelho. É uma afronta. A quem estuda e a quem lecciona. Um atestado de estupidez generalizado a quem se esforça, dedica e preocupa.Curiosamente a cultura de exigência no ensino de Nuno Crato não parece aplicar-se ao colega de governo Miguel Relvas, optou por não comentar o caso. Entende-se. Só se aplica a quem efetivamente é aluno de alguma coisa.

Este processo de licenciar alguém até pode ser legal, apesar de escandaloso. A ERC pode até ter "ilibado" de forma trapalhona o ministro no processo em que esteve envolvido com o Jornal Público. Pode inclusivamente o senhor ministro ter faltado à verdade no parlamento e continuar agarrado ao cargo quando deveria ter saído pelo próprio pé ou empurrado. Mas de uma coisa este ministro não se livra: do que a maioria dos portugueses pensa dele. E isso vale muito mais do que um 'Dr.' no cartão de crédito. Na política a imagem, a palavra e a confiança são tudo e neste momento a credibilidade do Dr. Relvas não está posta em causa, pela razão simples de que para isso acontecer era preciso que ainda tivesse alguma.

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