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100 reféns

Planeta Terra chama Cavaco Silva

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Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

Aníbal Cavaco Silva traz-me recordações da minha professora primária. A forma como esta tratava a turma é em tudo semelhante à forma como a sociedade em geral tem de lidar com o Presidente da República. Caldos e safanões. Acorde Aníbal, acorde. Olhe bem à sua volta. O que vê? Lembro-me vagamente do meu colega de carteira ter o hábito, nada apreciado, de adormecer durante as aulas com a testa mergulhada nas canetas de feltro. A solução era quase sempre a mesma - ou a vara a descer-lhe com força no meio da cabeça, tipo chicote, ou o calduço (também conhecido por CACHAÇÃO ou CALDO)bem aplicados na nuca, que depressa avermelhava. Em último caso - o safanão demolidor. O desgraçado acordava estremunhado na cadeira, com o arco-íris desenhado na cara e a dizer coisas sem nexo. Com o Presidente da República a coisa passa-se mais ou menos da mesma forma. Habitante do planeta CAVAVUS, na distante galáxia de BE-ALÉM, raramente de lá sai. É o seu porto de abrigo. O oxigénio é pouco e este opta pela poupança, não vá a coisa esgotar-se, como a parca reforma. Quando intervém não acrescenta absolutamente nada e só quando a sua inação se torna insustentável decide dizer qualquer coisa.

Normalmente debita coisas estéreis que não produzem qualquer efeito prático. Zero. Linhas de orientação que podiam ter sido tiradas de uma qualquer fascículo de autoajuda do Reader´s Digest. O governo finge ouvir atentamente, faz o frete, e depois faz o que bem lhe apetecer. Ou seja, precisamente o contrário, demonstrando não ter qualquer respeito ou especial deferência. Em termos de ver as suas recomendações serem escutadas ou seguidas, a figura do Presidente é uma verdadeira nulidade democrática. A sexta-feira passada é um bom exemplo. Passos atropelou Cavaco.

Ora isto não seria grave não fosse este a figura máxima do regime, o garante da democracia. O único representante eleito diretamente pelos cidadãos, devendo-lhes por isso bem mais do que qualquer outro. E o que se está a passar neste país deveria ser razão mais do que suficiente para que Cavaco Silva se comportasse como o cargo lhe exigiria. Mas não, mais um vez opta pela atitude estranha de compactuar com tudo o que de mal se está a fazer ao país e seu povo, aceitando a degradação social, moral e da economia. Consentindo a vergonha da austeridade cega e o impacto desta e de medidas imorais na vida de milhões. Um silêncio comprometedor, conivente e inquietante. Este país merecia muito mais do que este triste e vazio Presidente. Este país merecia ter um Presidente da República.

 

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