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O que Ronaldo nunca dirá: "Vão perguntar ao José Mourinho!"

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Mourinho veio a terreiro defender a birra de Cristiano. Entende-se. Mas se as frases tivessem sido "vão perguntar ao José Mourinho" e "Ó Zé assim não ganhamos" outro galo cantaria. O galo "Speciale".

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

Mourinho jamais em tempo algum admitiria que um jogador pusesse em causa uma substituição operada por si no decorrer de uma partida. Muito menos da forma que Ronaldo fez. No entanto veio defender em público o jogador. Entende-se. Vai ser seu jogador no Real e não convém levantar ondas antes de chegarem as marés vivas.

Toda a gente sabe que Mourinho não admite indisciplina nas equipas que treina e normalmente reduz os (super) egos das vedetas com quem trabalha a um quadradinho de plástico no banco de suplentes. Este último episódio entre Ronaldo e Queiroz com Mourinho dificilmente aconteceria. E a acontecer seria a última birra deste jogador no seio da equipa.

Se Ronaldo se saísse com um "Ó Zé, assim não ganhamos!" era bem provável que a resposta pronta fosse "Ó Cristiano vai lá abaixo ao balneário ver se eu estou lá sentado. E se por um acaso não me encontrares espera lá por mim um bocadinho. Aproveita e vai tirando os terços brancos do cacifo".

Cristiano dirigiu-se a Queiroz como nunca faria com Mourinho. Despeito e Respeito. E o segundo conquista-se. É o trabalho principal do treinador. De um líder. A diferença entre Mourinho e Queiroz é mesmo essa. O Primeiro é um líder nato. O segundo não, Queiroz é o eterno Professor. E a liderança inquestionável traz tudo: o respeito, o afinco, a admiração e o sucesso. E tudo isto precipita a equipa para bons resultados. A especialidade de José: vencer.

E isto só acontece porque o reconhecido ego de Mourinho é normalmente maior do que o somatório dos egos de todos os jogadores das equipas que treina. O Inter, o Porto, o Chelsea e agora o Real são as "equipas de Mourinho". E não as equipas de Deco, Drogba, Eto´o, Cristiano ou outro qualquer. A credibilidade de Mourinho enquanto treinador é incomensurável. O seu nome sobrepõe-se ao nome de qualquer jogador dos planteis que treina. Dilui os nomes e forma um grupo como um pintor mistura as tintas da próxima obra de arte. 

Com Mourinho os craques transformam-se em peças de um puzzle que o próprio arquitetou. Uma peça que teime em não encaixar não tem futuro. Tenha esta peça o nome, peso, manias ou o valor atribuído que tiver. Não serve para equipa. De nada serve sozinha. Não serve para Mourinho. Mourinho cria vencedores e não vedetas.

Tenho por isso a certeza que a atitude e rendimento de Ronaldo no próximo Europeu, em campo e fora dele, serão bem diferentes desta amostra fraca que tivemos oportunidade de ver neste Mundial 2010. Ou não se chamasse Mourinho o seu próximo treinador. A equipa do Real vai dexar de ser Ronaldo e mais dez e vai passar a ser José e mais onze. E por muito que custe ao Cristiano, isto é a melhor coisa que lhe podia ter acontecido nesta fase da carreira.