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Expresso

100 reféns

O IEFP prefere jogar FarmVille a realizar concursos públicos

Há quem goste de jogar às cartas. Os mais dados às novas tecnologias plantam couves e nabos em redes sociais. O IEFP planta pessoas em cargos públicos. Não sei se são nabos, mas são plantados sem concurso. Chamam-lhe regime de substituição.

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

"O Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) está a nomear dezenas de pessoas para cargos de direcção intermédia, sem concurso público. A SIC sabe que os nomeados são os mesmos que já ocupavam o cargo - ou seja, substituem-se a eles próprios".

1 - Foram 131 pessoas (grande maioria ligadas ao PS) nomeadas em regime de substituição para ocuparem o cargo que já ocupavam, sem ser efectuado o concurso público obrigatório por lei em 60 dias. Não quero imaginar o drama que estas pessoas vivem a tentarem substituir-se a elas próprias. Todos os anos a organizarem festas de despedida, discursos emocionados e no dia seguinte aparecem no emprego a cumprimentar toda a gente como se não conhecessem ninguém: "Olá eu sou o Pedro e vim substituir o Pedro". O mais curioso é que há quem ande nisto há 5 anos. Isto não é vida. Alguém poupe esta gente ao sofrimento da substituição. "Eu gostava mais do outro Pedro, era mais simpático, este novo é um fuinha que nem um café é capaz de pagar aos colegas" Será que o Pedro "novo" se queixa do trabalho que ele próprio deixou pendurado?

2 - A Ministra do trabalho Helena André tinha conhecimento de tudo isto. Mas tanto a Helena como o André parece que nada fizeram para resolver o assunto.

3 - O Presidente do IEFP: "não tive tempo para fazer os concursos. Decidi fazê-los apenas há 3 semanas atrás" Deve ter sido quando a SIC fez a reportagem. E quando questionado sobre os 60 dias que manda a lei responde " Tem que ser possível de fazer". Pois tem, mas não é. E como não há tempo plantam-se as pessoas. Depois é só ir regando de vez em quando.

Já imaginaram um polícia dizer que não tem tempo para cumprir a lei? "Senhor agente o homem assaltou-me e agora está ali na esplanada sentado a beber uma imperial". "Tenha paciência mas eu agora não tenho tempo, ligue para a esquadra". Da próxima vez que forem apanhados a 150 na auto-estrada digam que não tiveram tempo para travar. Eu por mim nunca tinha tempo para entregar a declaração de IRS mas parece que a lei obriga. E gostava de ir ao supermercado e sair sempre sem pagar por falta de tempo.

4 - Os Pedros que estão em funções a substituírem-se a eles próprios através de nomeação por "falta de tempo" do IEFP partem em vantagem em relação a todos os outros candidatos quando finalmente abrir um concurso público de acesso ao cargo. Ou seja, para além da fraude à lei o concurso está à partida viciado.