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Mas o segredo de justiça afinal existe?

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Para aos mais cépticos em relação ao funcionamento da justiça em Portugal, ficou ontem provado que é possível à justiça guardar um segredo sem este ser violado, sem acabar no Youtube ou ser capa de jornal.

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

1- Com a destruição das escutas do processo Face Oculta nas quais o Primeiro-ministro participava ficou provado que a justiça em Portugal até sabe guardar alguns segredos, não é a porteira coscuvilheira que por aí andavam alguns a propagandear. Já havia quem dissesse que o Ministério Público arquivava as escutas no youtube e que até estava a pensar lançar um programa de rádio com "escutas pedidas". Isto em tom de brincadeira claro está, até porque nada disso aconteceu na realidade, neste ou noutros processos. Ou será que aconteceu?

2 - 80 cd´s com 12 escutas entre Armando Vara e José Sócrates que facilmente seriam tripla platina faleceram após trituração prolongada, óbito confirmado por um Juiz da "Veneza portuguesa", sem que nunca se soubesse o que nelas constava, nem uma linha, virgula ou ponto de exclamação a marcar uma frase mais exaltada que faria certamente as delicias de um qualquer "Sol" de sexta-feira. Nada se soube. Como sempre deveria acontecer. Cabe agora às entidades competentes estudar o processo e aplicá-lo a todos os casos. E temos o problema da violação do segredo de justiça resolvido. Ou terá sido este caso a excepção que confirma a regra?

3 - Todos os que viram as suas conversas telefónicas privadas transcritas na comunicação social devem estar neste momento a perguntar se não haveria mais espaço na gaveta inviolável das escutas que tão eficaz se revelou no caso específico das conversas entre Vara e Sócrates, nela guardadas sem um beliscão durante sete longos meses.

4 - Constata-se desta forma que é possível, até mesmo para a justiça portuguesa, guardar um segredo. Depende apenas da vontade que isto aconteça por parte dos que a integram e deveriam servi-la sempre da mesma forma abnegada e ao mais alto nível como se verificou. Independentemente dos envolvidos. Sem olhar a nomes ou cargos.

É que seria muito chato alguém ficar a pensar que o segredo de justiça só funciona quando convém.