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100 reféns

Deixem o Rui Pedro falar, pá!

Quando todos esperavam mais duas horas de boa disposição na comissão de inquérito PT-TVI eis que Rui Pedro Soares nos tirou os cavalos da chuva e os recolheu à cavalariça do silêncio. Uma pena.

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

Eu sempre gostei de cinema mudo. Mas confesso que desta vez não apreciei. Não foi para assistir a isto que paguei bilhete, comprei um litro de cola e meti as pipocas na panela. Até porque Rui Pedro não é propriamente o Rodolfo Valentino ou o Chaplin.

1 - Rui Pedro Soares esteve brilhante na comissão de ética. O mínimo expectável era um desempenho do mesmo nível na comissão de inquérito. Os fãs que esperavam saber mais sobre as ultimas aventuras do Dragão de Ouro desesperaram. Eu cá estava à espera de vê-lo sacar do bilhete para o Rock in Rio ou de uma foto com a Fafá de Belém com a dedicatória "meu coração é vermelho mas este meu amigo é azul prá chuchu". Ou a leitura em voz trémula do menu de pequenos-almoços de um Hotel qualquer. Qualquer uma destas hipóteses garantia e perpetuava o sucesso e gabarito da prestação da comissão anterior. E as perguntitas no fundo não interessam nada.

2 - Acho estranho que uma pessoa que adora falar com tanta gente sobre tantos assuntos, ao telemóvel e pessoalmente, se remeta ao silêncio de forma repentina. Então esse dinamismo empreendedor que o levou a tão altos voos? O que se passou? Perdeu o telemóvel? A TMN rescindiu o contrato? Engasgou-se a comer um Figo? E a memória? Uma pessoa ainda nova não fica assim desmemoriada por dá cá aquela palha. Há que ver isso, não tenha batido com a cabeça por aí em algum Penedo.

3 - Porque razão é que uma pessoa se recusa a responder a questões sem saber quais são? E se agora começa toda a gente a agir desta forma? Os alunos nas escolas. Os arguidos nos tribunais. Os políticos na AR. Os filhos para os pais e vice-versa. Os pacientes para os médicos e vice-versa. Ninguém responde a ninguém. É um direito. Pois é. Mas normalmente é exercido por duas razões: medo de falar ou culpa no cartório. Resumindo: Necessidade de esconder. Na escola quando me perguntavam se tinha sido eu a bater a porta da sala com estrondo eu também assobiava para o ar, culpava o miúdo gordo, fingia-me esquecido ou remetia-me ao silêncio. Coisas de puto reguila.

4 - Ir para uma comissão de inquérito pedir perdão ao Primeiro-Ministro é no mínimo caricato. Mas por um lado até se entende, se realmente perdeu o telemóvel agora não deve ter os contactos de ninguém, tem de o fazer por carta e aproveitou a oportunidade. Ou se calhar agora já ninguém quer falar com ele, também é uma hipótese. Outra ainda é ninguém querer falar com ele e ao mesmo tempo quererem que ele não fale com ninguém. Um sarilho.

Quer-me parecer que o TMN Backup ainda não dá para estas coisas todas.