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100 reféns

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

Deixem o Cristiano Ronaldo em paz!

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Sou insuspeito para falar de Ronaldo. Não aprecio o estilo, não entendo a histeria e já critiquei o que não acho correto na conduta de alguém que deveria ser forçosamente um exemplo enquanto jogador e desportista. A partir do momento em que decidiram (a meu ver pessimamente) colocar-lhe a braçadeira de capitão da seleção nacional no braço a postura exigia-se outra. A responsabilidade é acrescida. Ronaldo deveria ser sempre, sem falhas, amuos ou birras, o primeiro a entrar e o último a sair de campo. Devia transpirar confiança nos piores momentos, mesmo jogando mal e falhando golos. Devia ter atitude. Devia ser um líder. O líder. Não o é, nunca foi e nunca será. Falta-lhe carisma. E o carisma não se treina ou compra. Agora uma coisa não consigo ser em relação a Ronaldo ou a outra pessoa: injusto.

As pessoas que criaram o mito do jogador que iria deixar a europa rendida nesta prova, o craque de uma qualquer galáxia distante que iria confirmar a bola de ouro no euro 2012, são precisamente as mesmas que agora, num processo de pura cretinice e aproveitamento, lhe atiram pedras ao invés das flores habituais. Não dá para entender. Se Ronaldo tem o ego do tamanho de Júpiter a culpa não é exclusivamente dele. Alguém o endeusou e endeusa sistematicamente, ou não? Ronaldo não tem culpa que a imprensa e meia dúzia de comentadores de pacotilha expectem dele o que nunca prometeu. Não tem culpa das fasquias elevadas que permanentemente lhe colocam. Não tem culpa que alguns não percebam que a seleção não é o Real Madrid ou o Manchester United e que Paulo Bento não é, e nunca será, José Mourinho ou Sir Alex Ferguson. Portugal nunca ganhou nada e ouço-os falar e exigir como se fossemos campeões do mundo, da Europa e da zona de Óbidos. Ronaldo não tem culpa que lhe tirem o prazer de jogar à bola como se fosse um puto, como gosta e sabe fazer. Ronaldo não tem culpa que não o deixem ser o Cristiano porque tem de carregar a nação futebolística às costas, compensar os insucessos de um país que pouco mais tem para se contentar e entreter nesta fase do campeonato do que com os pontapés na bola da seleção nacional.

O mais engraçado é saber que estes que agora o queimam alegremente na fogueira, a mesma fogueira que acenderam para o idolatrar, vão ser precisamente os mesmos que o vão louvar e levar no andor se no próximo Domingo se a coisa correr bem. E vão, com o mesmo desplante, dizer que sempre acreditaram nele. É o Portugal bipolar.

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