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Expresso

100 reféns

Deixem a Sra. Deputada ir regar as plantas em paz

"De Paris com amor" podia ser o título do filme protagonizado pela deputada socialista Inês de Medeiros. Co-Realizado pela própria e por Jaime Gama com a preciosa colaboração de José Lello. Rodado no hemiciclo e pago pelos portugueses.

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

Quando pensávamos que era impossível o parlamento surpreender eis que chega a decisão: A deputada Inês de Medeiros vai mesmo poder ir para fora semanalmente à custa dos que estão cá dentro.

1 - Eu acho muito bem que sejam pagas as viagens à Sra. Deputada eleita por Lisboa, residente em Paris e provavelmente com um espírito universal. Para este último parece que ainda não estão previstas ajudas de custo. Uma pena. Há que rever isto. Os deputados sempre podem alegar que o espírito tem residência no Tibete e que precisa de lá ir de quinze em quinze dias para uma aula de relaxamento.

2 - Para que amanhã ou depois não apareça por aí um deputado eleito por Santarém mas residente em Pequim, o Presidente da AR Jaime Gama fez questão de deixar claro que esta decisão não irá ser "vinculativa para o futuro". Ou seja, o Sr. Deputado de Setúbal o mais perto que irá estar de Pequim será a olhar para um bocadito de pato num qualquer restaurante chinês de Lisboa. Mas claro pode sempre pedir factura e alegar que estava com saudades da família. O Parlamento é um sentimentalão e o mais provável é pagar a despesa.

3 - Convinha alguém lembrar que o "exercício de funções" da senhora deputada Inês de Medeiros é referente às funções que exerce em Portugal e não aos passeios de fim-de-semana em Paris. Estranho é ver uma deputada pretender que os contribuintes que a elegeram pelo círculo de Lisboa, bem como todos os outros, paguem estas deslocações. Paris não é bem a avenida de França na Cedofeita, não é uma ilha portuguesa do Atlântico e certamente não foram os habitantes do bairro Saint Germain que a elegeram. É estranho o parlamento aceder a esta pretensão. Mais estranho é o CDS-PP abster-se na votação (algum telhado da arrecadação de vidro).

4 - Quem pretende ser deputado em Portugal mas continuar a residir em Paris ou em qualquer outra parte do globo por opção, o mínimo que se lhe deveria exigir é que tenha o decoro de não pedir aos contribuintes que lhe paguem este luxo.

Chamem-lhe vazio da lei, chamem-lhe o que quiserem para justificar mais esta despesa. Vai ser sempre uma vergonha.