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100 reféns

Contrapartida lagarta fugida

O caso dos submarinos levantou uma questão que há muito incomodava a sociedade portuguesa. Apontou para um erro que cometemos quase todos durante a infância: o uso continuado de uma expressão incorrecta.

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

Eu sempre achei estranho meter a lagarta entre a partida e a fugida. Não fazia muito sentido e sempre que gritava aquilo no meio dos outros miúdos sentia-me desconfortável. Mesmo não passando de uma simples brincadeira, a lagarta incomodava.

Um bocado como fazer um contrato de contrapartidas para tentar justificar o erro de se estar a efectuar um mau negócio. Soa um bocadinho a tolice. Paerece uma brincadeira de garotos. Mas o que fazer?

A garotada parecia não levar a mal e até incentivava o uso da expressão. E hoje em dia continua tudo a gritar partida lagarta fugida nos recreios sem se saber muito bem porquê. Não se percebe bem quais são as contrapartidas desta situação.

O que ganha com isto a lagarta? E porquê a lagarta e não outro bicharoco qualquer? Quem é o responsável pelo contrato e verificação de que as contrapartidas acordadas com a lagarta estão a ser cumpridas? Há algum Presidente de uma qualquer comissão inventada para o efeito? E se sim o que anda ele a fazer, a coçar-se?

E o mais importante: se a lagarta não cumprir com o contratualizado pode este ser considerado nulo?

E a verificar-se esta situação pode fazer-se novo contrato com o caracol ou com a minhoca?

Fica a correcção: Em bom português diz-se PARTIDA LARGADA FUGIDA. Passem a palavra entre a pequenada. Vamos acabar com esta situação. Esta sim, intolerável.