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100 reféns

Caso "Vagina" de Queiroz ficou em mil euros e um mês sem dizer palavrões

A partir de agora no futebol português quem, com responsabilidades, mandar alguém fazer análises à "passarinha" da mãe de outrem sofre um castigo. Patético e inconsequente, mas um castigo.

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

Naquela maldita manhã Queiroz embirrou que era a vagina da mãe do Director do ADoP que precisava urgentemente de análises e não a urina dos seus "meninos". Aconselhou os técnicos a irem recolhê-las "desamparando a loja". Os meninos são sensíveis e poderiam ficar traumatizados ao fazerem o chichi a hora tão madrugadora. Queiroz quis "defender o grupo de trabalho". Até porque toda a gente sabe que quem faz urina para um copo àquela hora acaba eliminado pela Espanha. É de La Palisse.

A FPF ignorou a "vagina" durante toda a campanha do Mundial. Nada daquilo acontecera. Vagina Tabu. Zero de vagina. Houve o caso Nani. Houve o caso Deco. Mas vagina nem sombras. Até que... acabámos mesmo eliminados pela Espanha. Para alguns cedo. Para outros, tarde. Para a FPF a altura ideal para despachar o homem da vagina. Esperem lá...não foi este senhor que mandou analisar a "c.... da mãe" do senhor da Adop? Que vergonha. "Inaceitável". Rua com ele. Como é que nos fomos esquecer de uma vagina deste tamanho?

Gente graúda do futebol apareceu a testemunhar em defesa de Queiroz. Sir Alex em pessoa veio atestar que nunca viu uma vagina sair da boca de Queiroz fosse em que circunstância fosse. He´s vagina free. "Niente" de vagina. Nem quando tinha bigode farfalhudo. Um gentleman. Outros defenderam que "fariam o mesmo " - e que "é linguagem do futebol". Embora não esteja muito bem a ver o que é que a vagina da mãe de Luis Horta tenha a ver com futebol. E provavelmente não estariam também estes senhores do futebol se a "vagina" em causa fosse a da mãe deles, digo eu.

Houvesse coragem e Carlos Queiroz teria sido demitido. Como seria qualquer funcionário de um qualquer órgão ou instituição que se preze ao comportar-se daquela forma. Não foi. Estava um Mundial à porta e valores mais altos do que a "vagina" se levantaram. E o caso vagina surgiu assim aquando da necessidade de despachar Queiroz sem lhe pagar. Pareceu à FPF uma boa oportunidade de expulsar Queiroz pela "vagina", salvo seja. Não contou o órgão (federativo e não a vagina) com a solidariedade dos influentes que reduziram publicamente um insulto gratuito a um autêntico tratado de boas maneiras. Conversa de gajos da bola. Malta porreira que pode dizer o que quer nos termos que quiser à pessoa que entender sem sofrer consequências.

Agora, exposta ao ridículo, a FPF acentuou a triste figura e a falta de coragem em que caiu multando em mil euros o seleccionador e impedindo-o de durante um mês mandar alguém ir fazer analises à passarinha seja de quem for, ou seja, de treinar. Não deu para o despachar desta forma, tenta-se de outra. Já está em curso. Triste futebol o nosso. Triste FPF.