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Casamento gay aprovado, adeus Sr. deputado

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Parece que agora os senhores deputados têm missões especiais dentro do parlamento. Assim que cumpridas dizem adeus ao hemiciclo. Aquela coisa de representar os eleitores já deu o que tinha a dar.

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

"O deputado independente eleito pelo PS Miguel  Vale de Almeida anunciou hoje a renúncia ao mandato, considerando que a  "tarefa" para a qual foi eleito está "cumprida", com a consagração legal  do casamento entre pessoas do mesmo sexo." in Parlamento Global

"Tarefa para a qual foi eleito"? Desconhecia que agora os senhores deputados eram eleitos para "tarefas". São deputados tarefeiros? Miguel Vale de Almeida estará mesmo convencido que alguém o elegeu para que gays e lésbicas deste país pudessem casar?

Eu consigo perceber que um deputado chegue à conclusão que não foi feito para o cargo e renuncie. Também entendo que o deputado Miguel Vale de Almeida quisesse como cidadão e deputado ver o casamento entre pessoas do mesmo sexo consagrado. E com o seu trabalho viu essa igualdade conquistada. E bem.

Agora já me faz alguma confusão vê-lo justificar a sua saída antecipada do parlamento com o facto de ter "cumprido a tarefa". Isto porque ao contrário do que Miguel Vale de Almeida pensa um deputado neste país ainda não é eleito para cumprir esta ou aquela tarefa. Não se senta num parlamento com esta ou aquela missão específica. Seja ela ver o casamento gay consagrado ou conseguir que a cantina da AR esteja aberta à hora do jantar como o colega do senhor deputado desejava há uns tempos.

A missão de um deputado, ou "tarefa" se o ex-deputado Miguel Vale de Almeida assim lhe quiser chamar, é toda igual: alguém eleito pelo povo para o representar no Parlamento e a quem o povo confia as decisões sobre variados assuntos. São por isso tarefas e não tarefa, assuntos e não assunto. Tantos quantos os que preocupam e afectam os cidadãos que o elegeram. Sejam eles gays, lésbicas ou heterossexuais.

Miguel Vale de Almeida conseguiu desta forma esvaziar completamente o cargo de um deputado neste país. Um deputado passa a ser um tarefeiro. Um homem-lobby. Ninguém o elegeu para tratar de um assunto específico. Ninguém meteu o voto na urna a pensar que queria ver sentado na AR o deputado Miguel dos casamentos gay. Com esta atitude e esfarrapada desculpa, o deputado tratou de forma diferente as diferentes pessoas que o elegeram.

Desrespeitou o cargo que ocupava como todos os que o lá sentaram e ainda os colegas que lá permanecem sentados. Devia lembrar-se que não foi apenas eleito para resolver assuntos dos gays e lésbicas deste país e sim os de milhares de cidadãos. Cidadãos que estou certo que gostariam de ver os seus problemas (aquela coisa de igualdade que dá tanto jeito para aprovar coisas) tratados com a mesma dignidade, seriedade e espírito de missão e "tarefeiro".

Não é muito coerente andar por aí a apregoar a igualdade, e depois tratar de forma desigual os eleitores. Conforme o assunto, missão ou "tarefa".