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100 reféns

Aníbal "Facebook" Cavaco Silva

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

O Presidente da República aceitou o pedido de demissão do primeiro-ministro, dissolveu a AR, anunciou a decisão num discurso algo inflamado e de seguida voltou à sua forma habitual de estar na presidência - aninhado no quentinho virtual do Facebook. Pessoalmente gosto do Facebook. Uso-o e nos dias de hoje considero ser uma ferramenta que está muito para além do mero contacto social que promove, deu um salto cuja essência original não previa. Ao nível de divulgação dos meios de comunicação, das empresas, da mensagem política e de cidadania e ainda de todo o tipo de lixo é provavelmente a melhor, mais rápida, atractiva e visualmente forma de transmitir uma ideia, um conceito, uma marca, um estilo. Nós temos um presidente "Facebookiano".

Isto é um facto e daqui não vem mal ao mundo. Agora presidir um país através deste programa é outra. Portugal não é uma das quintas do farmville que possa ser gerida trocando pás e ancinhos por fardos de palha. Por isso ter como presidente da república um senhor que aparentemente só quando faz "sign out" do " face" se digna dirigir palavra à nação, quando é preciso dissolver a AR ou meter um cravo na lapela não me parece que chegue. Ninguém fez "Like" no Facebook do cidadão Aníbal Silva para o ver presidente sentado em Belém. Lembro-me de ter ido votar nas presidenciais. E se o Presidente na sua vida estritamente pessoal entende gerir as coisas através do Facebook aceita-se: " Maria traz mais dois bolos-reis que o Lula e a Dilma comeram os de ontem - bastardos".

Agora no estado em que isto está, com o FMI a arredondar o défice para cima a cada dia que passa, ter de comunicar com o presidente ou esperar deste uma qualquer reacção através de uma rede social, por mais eficaz que ela seja é no mínimo caricato. A "presidência activa" de que Cavaco Silva falava era isto? Estar activamente online? A declamar no mural de vez em quando?

Ontem, em mais uma esfíngica aparição, rodeado de muitas múmias do passado, mais um discurso de esperança. Parecia uma montra da Vista Alegre mas menos animada. "Entendam-se que é preciso meus amigos, vamos juntos ultrapassar isto, ser "construtivos", vamos vencer os desafios do país, unidade para aqui e para ali". Mas não contem comigo durante a semana que eu tenho a quinta virtual para gerir e os pássaros em apuros. Ontem fugiram-me duas vacas. Bitches

Para se ser presidente da república não é preciso apenas ser. Convém parecer de vez em quando. E o Facebook e meia dúzia de aparições não chegam senhor professor. O senhor, para o bem e para o mal, é a voz dos portugueses. O seu silêncio é uma traição em quem acreditou novamente em si. Se quer na realidade ajudar faça por isso. Não chegam os sermões de cátedra. Ser Presidente não é ser Professor de Economia na faculdade. Um bocadinho mais de proactividade precisa-se.

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