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100 reféns

Angélico, Sónia Brazão e o estrume da comunicação social

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Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

Não escrevi até hoje sobre estas duas pessoas. Em primeiro lugar porque não me apeteceu, em segundo porque outros se encarregaram de o fazer de forma incessante, até à exaustão, e em terceiro porque para além de considerar estes dois factos um "não assunto" tenho para mim que a dor e o luto das pessoas em causa e das famílias devem ser respeitados. Mas outros há que acham que a morte de um jovem (igual à morte de qualquer outro jovem em condições trágicas, e como sucedeu no mesmo acidente) e a desgraça de uma actriz (igual à desgraça de qualquer outra pessoa nas mesmas circunstancias) devem ser esquizofrénica e impiedosamente escrutinadas, e fizeram-no de uma forma asquerosa. A exploração da morte e da desgraça alheia atingiu durante uma ou duas semanas neste país o cúmulo do ridículo. E é fácil ver quem e que órgãos promoveram a estupidez de forma vil: é só fazer uma busca simples no Google.

O "famoso" News of the World - jornal britânico de Rupert Murdoch entretanto extinto e mundialmente conhecido por ser capaz de tudo por uma cacha, mas rigorosamente tudo, parece ter disseminado a sua forma de actuação e feito escola entre jornais e revistas portuguesas. Mas se muita imprensa já era e é lixo, outros se colocaram à porta da incineradora e com vontade de entrar. E trituram a própria moral se preciso for.

Acho que nem a morte de Amy Winehouse, uma estrela internacional, das maiores da última década, figura conhecida (nem sempre pelos melhores motivos, é certo) em qualquer canto mais recôndito deste planeta, foi explorada de forma tão cobarde, mesquinha, fútil, imbecil e profundamente deprimente. Um verdadeiro nojo. Lixo. Estrume comunicacional. Sem nível, inteligência ou sombra de discernimento entre o que é informação e o que não passa de excitação momentânea baseada em muitos números e pouco cérebro.

Muitos jornais deste país, no papel e nos seus sites foram atrás das revistas de WC e de sala de espera de consultório na forma de actuar. Publicações que continuam a vender porque, sejamos honestos, grande parte da população deste país gosta é de saber "quem comeu a não sei quantas, onde e a que horas", "a outra que pôs mamas", o híbrido que tem a mania que é vedeta em Nova Iorque, o casal que foi para as Caraíbas depois de aparecer 15 segundos nos Morangos com Açúcar (e nascem mais duas pseudovedetas) e a vida amorosa do drogadinho das novelas que anda a largar a coca e passa a vida num entra e sai da clinica como um esquilo ganzado. Aquilo a que muitos não limpam o rabo é a leitura diária, e única, de milhares de pessoas. Explica muita coisa. Muita mesmo.

E caíram, assim, todos de uma vez na sarjeta da informação. Quem quiser que enfie a carapuça. São escolhas.

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