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Expresso

100 reféns

Abriu a época de caça ao desempregado

Governo reuniu-se com a parte laranja do bloco central e no quentinho do sofá decidiram cortar onde é preciso: no subsídio de desemprego.

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

Em tempo de vacas escanzeladas o Governo ponderou, e com a preciosa ajuda do novo líder do PSD chegou à conclusão que a culpa das bichas andarem magras é em grande parte dos malandros dos desempregados, esses sacripantas. Eles sim ganham uma exorbitância e não os gestores como andam por aí a dizer.

1 - Interessava alguém explicar a este governo que o subsídio de emprego é um direito. Não é propriamente um prémio, lotaria ou bodo aos pobres que um indivíduo recebe por ter sido posto a andar do local onde trabalhava. O governo não altera direitos por ter acordado com os pés de fora do hemiciclo. Pelo menos não o deveria fazer.

2 - Muitas das empresas que vemos fechar diariamente tinham como melhor cliente, ou a bem dizer, como pior cliente, o próprio Estado. E em muitos casos a falta de pagamento a tempo e horas por parte do Estado levou à inevitável asfixia financeira, à falência das mesmas e aos despedimentos colectivos, colocando centenas no desemprego todos os meses. É só ver como a maioria das Câmaras Municipais paga aos seus fornecedores. Alguns estão anos sem receber. Anos.

3 - A seguir aos desempregados seguir-se-ão os trabalhadores e os seus direitos, como o 13º mês, para não andarem armados em mandriões na altura do Natal.

4 - Se querem juntos combater o défice que tal meterem-se com os graúdos? E que tal taxar os bancos como deve ser? Aí já não vejo tanta coragem emanada do quentinho do sofá. Ou o governo é um daqueles miúdos enervantes e só se mete com quem não tem força suficiente para lhe dar um abanão?

5 - E os prémios pornográficos dos gestores públicos? E as frotas de carrinhos novos para os nomeados da administração pública andarem por aí a passear? Aqui não há corte? E as viagens da deputada Inês Medeiros? E o TGV e o novo aeroporto que afinal avançam com o pretexto de não fazer cócegas aos mercados financeiros? Quando há meses a fio que se anda a discutir o assunto.

6 - Só quem não distingue uma tartaruga de uma bicicleta é que pode achar que estas medidas vão ter algum impacto. Mexam no que realmente interessa e parem de bater no ceguinho. Façam jus ao nome: sejam socialistas.

PS (post scriptum e não Partido Socialista): Alguém avise Pedro Passos Coelho que ainda não é Primeiro-Ministro. É que com tanta reunião para decidir o futuro do país dá ideia que ganhou as eleições legislativas e não a liderança do PSD. E se assim continuar a única coisa que irá ganhar é um novo amigo: José Sócrates.