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Expresso

À beira mar plantado

Avanços e recuos

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João Távora, fotos.sapo.pt

Na entrevista que deu à RTP há sensivelmente uma semana, António Costa foi, como o PS tem sido habitualmente, peremptório em fazer um diagnóstico negro sobre a situação do país.

É algo em que o PS não tem dificuldade. Mais dificuldade parece existir em admitir que para um país falido, como o próprio PS deixou em 2011 sem dinheiro para pagar salários e pensões (ou não tivesse o próprio super-homem Sócrates de ligar lá para fora a pedir dinheiro), a recuperação que Portugal fez foi notável.

Passámos estes quatro anos sem dificuldades? Certamente que não. Houve nomeadamente no desemprego um aumento que criou situações concretas de enorme dificuldade a muitos portugueses. Claro que esse desemprego não foi nem desejado nem festejado por ninguém, muito menos do governo ou da maioria, simplemente ele mostrou as fragilidades duma economia montada na dívida e na despesa pública como a que a o PS nos deixou. Hoje, com a obrigação de pagar a dívida contraída anteriormente tudo é mais difícil, mas o caminho da recuperaçao está se a fazer todos os dias: o desemprego desce de mês para mês e a economia cresce ao mesmo passo.

O líder do PS, na dita entrevista, foi rápido em apontar o dedo a uma evidência: até podemos estar a recuperar, mas ainda há muito para voltarmos a níveis outrora vistos, e "retrocedemos"  dez ou vinte anos numa série de indicadores. É verdade. Mas como o Carlos Guimarães Pinto identificou aqui, isso deve-se em grande parte ao facto simples de que o próprio PS já havia deixado o país em condições dificílimas do ponto de vista económico-financeiro. Da leitura dos dados o que se percebe é que, se quisermos ver as coisas assim, foi o PS que não só engatara a marcha-atrás, como colara o pedal do acelerador.

Vejamos:

Costa (como João Galamba aqui repetiria), queixara-se de que em 2013 tiveramos taxas de pobreza idênticas às de uma década atrás. Sim, os números correspondem mais ou menos ao registado no ano de 2004. Mas e em 2011, quando o PS deixou o governo? Estávamos a retroceder até 2006.

No emprego, estamos este ano passado com um número de pessoas empregadas sensivelmente idêntico ao de 1997. Verdade. A tendência, no entanto é crescente há mais de um ano. Em 2011 o valor levava-nos de volta ao ano de 1998. Com tendência inversa.

E se em 2013 obteríamos níveis de investimento próximos aos de 1989, em 2011, depois dos anos gloriosos do engenheiro Sócrates a comandar onde gastar o dinheiro dos contribuintes, encontrávamos níveis de... 1992.

Quanto à tão badalada emigração, 2010, último ano completo da competente gestão socialista, fár-nos-ia recuar a números só vistos antes em 1969, ano da crise académica.

O que nos dizem estas comparações (reitero o link do texto original, onde se podem seguir caminhos para as estatísticas oficiais)? Que já em 2010 e 2011 o páis vivia dias difíceis. Isto, note-se, apesar dum défice e dum endividamento verdadeiramente descontrolados. Hoje, sem recurso a níveis de endividamente remotamente parecidos (infelizmente levámos com o aumento da dívida pública devido à inclusão de dívidas já contraídas para este lado do perímetro orçamental - mas ela já lá estava) as coisas têm uma enorme diferença: é que a tendência das variáveis é contrária a de que era em 2010/2011. Onde o desemprego subia e a economia encolhia, os sinais inverteram-se. Quando ao mesmo tempo sabemos que não é uma bolha artificial alimentada pela despesa (e melhor seria, se fosse constitucionalmente aceite) do estado que segura - apesar de tudo - a economia,  então só podemos olhar para os próximos tempos com redobrada esperança. Rapidamente nem os anos socráticos servirão de termo de comparação para os indicadores do país.

Ainda bem.