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Expresso

Solteirinha da Silva

O SIRESP não falhou e a GNR já veio dizer que também não falhou. Os Bombeiros nunca ninguém critica e do nosso governo já se sabe que é incansável na procura do Bem e, ao contrário dos Maus do passado, nunca falha aos portugueses.

Houve uma árvore que se incendiou. Talvez por um raio, talvez por maldade, mas a PJ em duas horas já a tinha apreendido, grande PJ, a PJ não falhou! E, entretanto, morreram 64 pessoas, grande azar. E sendo certo que nenhuma morreu por suicídio a verdade é que Passos pediu desculpas e se pediu desculpas alguma culpa deve ter.

Estamos em condições de encerrar o dossier. Houve um azar, Passos esteve mal, mas agora há que organizar uma Eurovisão e na verdade está aí o Verão e o povo quer ir para o Algarve. A menos que apareça o maldito Sebastião Pereira (é favor entregá-lo na sede mais próxima da Comissão de Censura) não há razões para se falar mais disto. Continuemos, felizes e contentes.

Noto apenas uma coisa: azares destes podem repetir-se. Mantendo-se tudo como estava à data do incêndio (afinal foi um azar): os mesmos responsáveis, os mesmos procedimentos, então um azar pode mesmo repetir-se. Perceber isso, para mim, é não ir tão cedo para aqueles lados. Não preciso de ter um azar. E não preciso de ficar para a história como um culpado, nas palavras do secretário de estado Jorge Gomes. Afinal, “esta tragédia aconteceu também pela curiosidade”, porque as pessoas não se mantiveram “sossegadas nas suas casas”.

Bem, ao menos a culpa não morre solteira. Passos, o malandro, é que não se demite.