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Expresso

50 tons de fascismo

Aparentemente há facções (presumivelmente) fascistas a lutar pelo controlo do espaço universitário estudantil. É isso que se conclui duma leitura (talvez pouco atenta) dos acontecimentos na Faculdade de Ciência Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Desesperada, a direcção da Faculdade optou por puxar o travão de mão. Desta vez resultou, a ver o que acontecerá a prazo.

Os acontecimentos são fáceis de explicar: numa Reunião Geral de Alunos um pequeno mas bem organizado de estudantes fascistas fez notar que outro grupo de fascistas aparentemente se preparava para organizar um debate nas instalações da Faculdade e vai de aí optou por fazer aprovar uma moção a apelar a que este não fosse autorizado, fazendo a seguir de ameaças de violência tais que a direcção da Faculdade cancelou o evento. Quem diria que 40 anos depois do 25 de Abril, na universidade do estado, grupos de fascistas infiltrados lutariam pelo poder?

Pela aprovação da moção de Censura Prévia e com a ameaça de violência, o grupo de pouco mas bem organizados (não mais de 30, segundo relatos) operacionais da RGA conseguiram momentaneamente leva a melhor. Vejamos se dura.

O que resta saber se dura, também, é o clima de guerra aberta entre estes grupos saudosistas dos tempos de Mussolini - quando nas universidades reinava o respeitinho (espírito que a direcçao da FCSH encarnou muito bem) e só falava de cátedra quem o regime autorizava. Não deixa de ser irónico: fascistas derrotados por mecanismos fascistas usados por outros fascistas. Um nó autêntico na cabeça.

O pior disto tudo é que tinha eu o texto pronto e me vieram explicar que os segundos fascistas, os da RGA, afinal não seriam fascistas mas bloquistas. Fiquei a pensar se os primeiros, os do debate, também afinal não seriam fascistas. O que é engraçado é que concluí que se os segundos forem amantes de Che Guevara em vez de de Mussolini o texto funciona na mesma – as subtis diferenças entre extrema-esquerda e extrema-direita talvez sejam importantes numa Faculdade de Ciências Sociais e Humanas mas cá fora não passam de (lá está!) académicas. Nesse sentido as minhas desculpas aos primeiros.