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Expresso

A Caixa, finalmente privada

A Caixa Geral de Depósitos é pública porque Portugal, dizem, precisa dum banco do estado.

Porquê?

Porque não se podem deixar os banqueiros privados a mandar sem qualquer vergonha na banca nacional. Porque o poder político, em nome do povo (claro!), tem de ter algum controlo sobre a banca. E como felizmente a novela da Caixa mostrou que nada disto se verifica na práctica, podemos retirar uma consequência positiva das últimas semanas: a Caixa pode ser privatizada sem medo. E ainda bem.

Na práctica, as leis mudam-se à medida para que na Caixa possa ficar quem o governo do momento quer, nas condições em que o gestor quer. Note-se que acho que Domingues fez lindamente ao colocar condições (como qualquer gestor de topo coloca a um accionista quando é recrutado) e acho que o governo reagiu como qualquer accionista reagiria: avaliou se as condições eram aceitáveis para o benefício de ter aquele gestor consigo e tratou de lhas arranjar. Incompetentemente, porque se esqueceu dum decreto-lei da altura em que eu nem era nascido, mas digamos que nenhum accionista privado faria melhor que a dupla Costa-Centeno.

O que ademais se mostrou é que, na práctica, o governo pode fazer na Caixa o que quiser, que o Parlamento não vai fiscalizar nada. Por (falta de ) vontade de PS, BE e PCP, o Parlamento está surdo e cego em relação a como se processou a nomeação da penúltima equipa de gestão da Caixa. Aparentemente, a visão da esquerda sobre a fiscalização da Caixa é que… não é preciso fiscalização.

Na práctica, portanto, a Caixa é um banco privado com a sorte de ter acesso a leis à medida sempre que preciso. Está há um ano paralisada quer quanto a “decisões estratégicas” quer quanto à tão urgente (dizia Costa, homem de palavra) recapitalização, mas o país continua. E a Caixa não tem grandes razões para continuar pública. Obrigado geringonça.