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Expresso

Haja esperança para 2017

Gary Kasparov tweetou estes dias que o Czar Nicolau II terá terminado o seu diário de 1916 escrevendo que 1916 havia sido amaldiçoado mas que 1917 correria certamente melhor. Não consegui confirmar a veracidade do tweet do campeão de xadrez, e portanto pode ter sido apenas uma brincadeira, mas a verdade é que não vale a pena iludirmo-nos: a um ano mau pode seguir-se um ano ainda pior.

Mas não quero ser tão pessimista. Apesar de Trump na presidência americana (Agora é que vamos ver o que vale a primeira constituição democrática da modernidade), apesar dos processos eleitorais Europa fora (Desde quando é que temos de ter receio de eleições? Eu respondo:Desde que a nossa Europa depende do bom senso e não de regras bem escritas, porque foi preciso esquecer as regras para satisfazer alguns governos.), apesar na nossa geringonça se ameaçar com nacionalizações de bancos, reestruturações unilaterais da dívida ou novos impostos; apesar de tudo isso eu tenho esperança.

Tenho esperança porque a história do Homem mostra que momentos piores, a prazo, são sempre transformados em momentos melhores. Desde que no final do século XIX adoptámos a liberdade económica (no que, às vezes erradamente, chamamos de capitalismo) a humanidade rebenta recordes de redução de pobreza, de redução mortalidade infantil e de desenvolvimento social e tecnológico. E seguindo a liberdade económica veio sempre a liberdade política, a social e a cultural.

E mesmo naqueles momentos em que totalitarismos como o comunismo ou o fascismo quiseram impor outro caminho, agrilhoando criadores, eleitores e empreendedores, a praga não durou – por muita morte e miséria que causasse entretanto. E se é certo que continuam a viver, por exemplo em Cuba , na Coreia do Norte ou nalguns países de África, povos debaixo de ditaduras opressivas das várias liberdades, a verdade é que olhando para o caminho que a humanidade tomou no século XX, deve haver esperança.

E sobretudo, o que parece claro – espero não me arrepender – é que nenhum desafio do ano 2017 se vai comparar às provações que enfrentávamos há cem anos. O pobre Nicolau II, em 1917, veria a Revolução Russa tomar conta do seu país abrindo caminho para a mais longa e mais assassina ditadura do século XX. 2017 terá os seus ossos duros de roer, mas já roemos piores. Haja esperança.