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Expresso

Adeus verão!

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GALPgate

Agora que as aulas começam, o Parlamento também volta aos trabalhos e as praias começam a ficar mais vazias penso que é comummente aceite que o Verão terminou. Chegou portanto a altura para a qual nos prometeu o governo o código de conduta com que pretendeu enterrar o caso das prendas da GALP aos governantes. Onde anda?

É que estou curioso. Se vai haver código de conduta ele das duas uma: ou aprova a conduta do Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, que aceitou a prenda da GALP ou não a aprova. No primeiro caso fica visto que é inútil o código. Afinal de que serve estar escrito que um governante pode aceitar 3000€ em géneros de empresas que operam nas áreas que tutela? Isso é conduta aceitável? Se sim, estamos conversados. Se porventura, a contrario, o código de conduta censura as atitudes tomadas pelos governantes então como podem eles ficar no governo?

Infelizmente, o facto de terem ficado no governo este tempo todo leva a pensar que só pode estar escrito no dito código que é aceitável aceitar estas prendas. Ou pelo menos que é aceitável resolver as coisas posteriormente pagando o valor da prenda sempre que se for apanhado. O socialismo, parafraseando Thatcher, quer sempre o dinheiro dos outros. Mas não pensei que chegasse a este ponto.

Uber

O sector dos Táxis anuncia manifestações e paralisações contra a Uber e plataformas idênticas que lhe fazem, não haja dúvida disso, concorrência. Com a linguagem habitual fala-se de mocada – já a vimos no passado – e de subir as formas de luta. O Verão parece que vai terminar quente.

Compreendo por um lado o desespero de quem tem um negócio e vê o seu mercado desaparecer. É da vida e da economia e está permanentemente a acontecer nos mais diversos sectores. Onde andam os aguadeiros, as varinas ou os milhares de funcionários de manufaturas de tecido? Momentaneamente quem perde o seu trabalho porque o serviço foi substituído quem faz o mesmo com menos recursos, nomeadamente humanos, é uma vítima do progresso. Mas é um progresso que no global melhora a vida de todos, mesmo do que são temporariamente vítimas. Se ainda hoje fosse precisas várias horas de trabalho para produzir uma peça de roupa, a roupa continuaria a ser um exclusivo das classes mais altas. Felizmente já não é assim.

Acontece que com o sector dos táxis, mais que o progresso normal, é a própria classe que andou anos a marcar passo e a definhar. O aparecimento da Uber e outras plataformas trouxe um influxo de capital e investimento (além de modernizar todo o modelo de negócio) que o sector para dos táxis tradicionais não aguentaria como não está a aguentar. Usar do poder legislativo para travar este processo é uma forma feia e que felizmente não encontra eco no governo. O secretário de estado José Mendes, porque se tem de elogiar quando as coisas são bem feitas, parece estar a conduzir o processo de forma irrepreensível.

Acontece ainda que o problema dos táxis é que não há ninguém que os use (ou usava) de forma regular que não tenha demasiadas histórias de mau serviço ou até burla (tentada) para contar. Tenho eu também, infelizmente, e anulam de longe as boas experiências que também fui tendo. A Uber com um serviço “normal” e com uma plataforma de avaliação traz assim o que parece o paraíso na Terra. Espero que continue com a elevada qualidade de serviço.