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Expresso

Silly Season

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A silly season acabou. Não por ter chegado o fim de Agosto, mas por ter chegado o tempo da informação sempre presente na mão das pessoas: já não há Silly Season. E acho que ninguém avisou o governo.

Prendas

António Costa pode até ter sido avisado, mas reconfortado com a nossa vitória no Europeu. Chegaria, talvez, para acalmar a agenda política do Verão até Setembro – não fosse começar justamente com a Seleção Nacional de Futebol um folhetim que, findo o Verão terá o seu mais curioso capítulo. Está para chegar, e confesso-me curioso, a publicação do código de conduta que o ministro Santos Silva prometeu para calar os críticos das prendas com que a GALP premiou os “seus” membros do governo. E eu estou curioso por uma razão relativamente simples: quero saber se tal código de conduta permite a um membro do governo aceitar uma prenda de 3000€ duma empresa. Ou se só diz que se for apanhado com essa prenda a situação se encontra sanada com a restituição do valor.

Menos curioso estou com os colegas do governo que, antigamente, se acotovelavam em pedidos de demissão e considerações pessoais no debate político para, agora e perante as evidências, se mantenham na simpática posição de cãezinhos amestrados.

Fofocas

Entretanto o Verão foi também a época de capas de jornal desmentidas. Fonte próxima do governo plantou uma mentira contra um juiz na capa do JN – esteve mal o JN, claro, ao publicar a falsidade e pior ainda ao esconder o spin doctor de António Costa.

Estou com Alexandre Homem Cristo: num país que se desse ao respeito, isto seria um escândalo.

Desmentiu-se também a promessa de Costa de há um ano: provavelmente 2017 continuará a ter o subsídio de Natal na Função Pública pago em duodécimos. Possivelmente terá que ver com o facto de que todos os indicadores económicos e financeiros se tenham degradado neste querido mês de Agosto. O país está numa trajetória pior do que o PS achava que ia estar se PSD e CDS governassem. Como se não bastasse o país ardeu como poucas vezes antes. Felizmente a Caixa Geral de Depósitos contará com um batalhão de novos administradores – nem que se tenha de mudar a lei que na Europa se lembraram de ir ler.

Despedidas

Não sei se foi Mises (Socialism, 1922) o primeiro (de certeza que não foi que isto dos liberais vai sempre dar a Aristóteles), mas foi Popper (The Open Society and Its Enemies, 1945) quem lhe deu popularidade: a ideia de que as democracias têm a grande vantagem - senão o principal fim - de permitirem as mudanças de governo sem revolução e banhos de sangue. Para Dilma e muitos dos seus amigos isso equivale a dizer que a democracia é inerentemente golpista. Não é. Vindo duma antiga combatente comunista – que aprendeu rapidamente o jogo que dizia detestar e foi administradora da Petrobras no pico da atividade de corrupção da empresa – que combatia uma terrível ditadura para poder montar outra, não será grande escândalo. Mas se o Brasil com regras democráticas conseguir expurgar os enormes problemas que tem de corrupção, descontrolo orçamental e anemia económica então a democracia já valeu a pena. Para já é “tshau, querida!”.