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Expresso

Cortar 600 milhões de Euro? “Jamé”

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Em 2015 PS, PCP e Bloco atiraram-se às goelas da coligação por causa duns supostos cortes de 600 milhões de euro nas contas públicas acordados com Bruxelas. Lembra-se? Parece há uma eternidade, mas esta semana houve quem se lembrasse.

E se recordar for mesmo viver, vale a pena recordar um bocado o que na altura se disse. Segundo João Galamba seria «um regresso à austeridade» com «um efeito na economia muito negativo». Garantia aliás que o PS não alinha(va) «neste tipo de estratégia».

Curioso é que depois disto tudo, o governo Costa após tomar posse não tivesse, da parte de Bruxelas, qualquer admoestação sobre os supostamente prometidos cortes de 600 milhões. Tenho a suspeita que após anunciar a redução do IVA nas refeições servidas no Gambrinus, a reposição das reformas milionárias e as 35 horas de trabalho na Função Pública, a Comissão Europeia tenha caído aos pés de Mário Centeno e perdoado tudo o que o anterior governo pudesse ter acordado. Sou daquelas pessoas que elogia quando tem de elogiar e neste particular a gestão do atual governo foi genial.

Acontece que vai 2016 a meio e eis que Mário Centeno tem de mandar uma carta aos colegas do Ecofin para os acalmar porque mal-intencionadas pessoas do mal estão com receie que Portugal derrape nas contas públicas. E que escreve lá o ministro das Finanças?

  • “when compared to 2015, the total amount of captives and reserves available is 597 million euros higher” (quando comparado com 2015 o montante total de cativações e reservas disponíveis é de mais 597 milhões de euro)

Além portanto de (provavelmente) já ter convencido os colegas com as geniais políticas orçamentais, Mário Centeno desfaz assim, esta semana, o mistério que tem quase um ano: o corte de 600 milhões que o PS disse que nunca faria e que desde a tomada de posse do governo Costa ninguém mais lembrou: Centeno retém por despacho 600 milhões de euro dos orçamentos dos serviços do estado que pode nunca libertar (ou desativar, no termo técnico), garantindo assim que satisfaz Bruxelas. As reações do PS e dos seus atrelados à esquerda são hoje muito mais simpáticas do que haviam sido na altura.

Se é daqueles portugueses que há um ano ficou sem perceber como ia acontecer o famigerado corte de 600 milhões do governo PSD-CDS, o governo PS respondeu. Não a si, caro leitor e concidadão, mas a Bruxelas e em inglês.