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Expresso

(A) quem serve o Estado?

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Na semana passada escrevi aqui que importante, na questão dos contratos de associação, era perceber se o Estado servia as famílias se as famílias serviam o Estado. O problema dos estados modernos é que a questão não se põe só na educação. Põe-se transversalmente. E a conclusão dos dias que correm é que os cidadãos cada vez mais servem um estado que cada vez menos lhes (e os) serve.

E basta ver as medidas aprovadas estas semanas pela muito progressista e espectacularmente esquerdista geringonça para que não sejam precisos grandes comentários.

Na estiva os sindicatos dos estivadores conseguiram que o governo se metesse ao barulho para garantir que continuam a mandar no Porto de Lisboa. A Porlis não pode contratar mais estivadores, a progressão na carreira mantém pendor fortemente automático e certas funções só podem ser ocupadas por quem o sindicato quer. Os custos ficam para o consumidor.

A função pública, ontem mesmo, recuperou o seu estatuto de classe privilegiada no horário de trabalho. Além dos serviços de saúde privados, pagos sempre que preciso com apoio do Orçamento de Estado, o horário de trabalho de 35 horas permite esquecer qualquer confusão com comuns mortais. Pagam os contribuintes.

A classe dos taxistas, num sector que continua a viver no século XX, quiçá XIX, embolsa 17 milhões de euro do contribuinte porque enfrenta finalmente concorrência de quem traz capital para um negócio em que a qualidade escasseia. Paga o dito.

O sector da Restauração, que cresce sem parar, conseguiu garantir também que o seu produto foge a todas as lógicas do Código do IVA, convencendo muito boa gente que ir jantar fora é uma espécie de bem essencial. Embolsa quem pode, paga quem não foge.

E ainda se poderia recordar a reversão nos transportes de Lisboa e Porto, na privatização da TAP, a quebra do acordo para a redução do IRC, o fim do quociente familiar, a abertura dos tribunais encerrados (ainda que aparentemente com menos valências que uma estação dos CTT), etc., etc., etc.

Paulatinamente se vão destruindo as reformas dos anos passados – é certo, não foram fáceis de implementar, mas ainda assim necessárias – trocando-se agora o interesse dos cidadãos e do país pelo interesse das corporações. Os meses que vivemos custarão novos cortes e austeridade no futuro, como nos custaram os anos de Sócrates que para ganhar eleições baixou o IVA e aumentou a função pública. O drama é que Costa nem sabe quando tem eleições vivendo-se um clima de clientelismo permanente, com efeitos perniciosos no curto e no longo prazo.

Ontem foi o Dia da Criança. Cuidemos das nossas pois cabe-lhes pagar a dívida...