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Expresso

A realidade é trama

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Entre os dados económicos do primeiro trimestre a comunicação da Comissão Europeia de ontem, Portugal colecionou estes dias notícias más, péssimas, para o plano do Partido Socialista. O pior mal é que igualmente péssimas para o país.

Quando Mário Centeno apresentou, em campanha eleitoral, o seu “plano macroeconómico”, não foi preciso ter muita massa cinzenta para perceber que nada batia certo. O excel que lhe deu origem nem provavelmente a operação de soma fazia corretamente e nunca mais foi mencionado depois das eleições. Justiça seja feita, com a coligação à esquerda o PS perdeu a mão do seu programa tendo de o adaptar para satisfazer a geringonça. Foi uma escolha sua, claro, mas deve-se assumir de boa fé que o PS não contava perder as eleições e entrar no governo nessa posição de fragilidade. E que é para serem poder que os partidos existem é algo que o PS tem demonstrado desde Outubro de forma impressionante.

Acontece que os resultados económicos e o desenvolver dos principais indicadores – desemprego e défice, por exemplo - está longe de estar perto das previsões do mesmo Mário “plano” Centeno depois de já conhecer as condicionantes da coligação com a extrema-esquerda. E a Comissão Europeia disse ontem muito claramente algo que o primeiro-ministro desmentiu no passado: vai vir o Plano B.

Essencialmente a Comissão diz que Portugal tem de:

Ensure a durable correction of the excessive deficit by 2016, reducing the general government deficit to 2.3% of GDP in 2016, by taking the necessary structural measures

Ou seja, corrigir o défice excessivo em 2016, reduzindo-o para 2,3% do PIB tomando as necessárias medidas estruturais. Mas porquê?

The macroeconomic scenario underpinning these budgetary projections [2016 staibility programme] is rather optimistic.Moreover, the measures needed to support the planned deficit targets from 2017 onwards have not been sufficiently specified. Based on the Commission 2016 spring forecast, the general government deficit is projected to reach 2.7% of GDP in 2016, below the Treaty reference value of 3% of GDP, and 2.3% of GDP in 2017.

(...) Based on its assessment of the stability programme and taking into account the Commission 2016 spring forecast, the Council is of the opinion that there is a risk that Portugal will not comply with the provisions of the Stability and Growth Pact. Therefore further measures will be needed to ensure compliance in 2016 and 2017.

Essencialmente a Comissão acha que Portugal está muito longe de conseguir um défice de 2,3% em 2016 tendo de apresentar medidas que o corrijam desde os 2,7% previstos pela CE. Além disso, como ainda esta semana o Conselho de Finanças Públicas escreveu, uma série de medidas simplesmente não estão suficientemente especificadas. Isto quer dizer que há que tomar as medidas estruturais necessárias. Contas feitas, falamos de mais de 700 milhões de euro de medidas. Adicionais. Com tendência a piorar se a, aos dados de hoje otimista, previsão de Bruxelas quando ao PIB tão pouco se confirmar.

Na sua conta de Twitter o Comissário Moscovici falou mesmo em medidas “exigentes mas realistas”. A ver se a realidade não sai cara a quem apresentou o Orçamento do Estado que mais transfere fiscalmente para as classes com mais rendimentos. Tudo na semana em que o saldo da balança comercial volta a ser desfavorável a Portugal.