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Expresso

Às vezes é preciso ser intransigente

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Sobre os ataques de Bruxelas já tudo se escreveu e já muito se reflectiu. E facilmente se conclui que continuamos a bater de frente com uma difícil realidade: vivem na Europa, vêm viver para a Europa e nascem na Europa, europeus que estão contra os valores da vida, da liberdade, do respeito pelo indivíduo – chamem-lhes valores europeus ou ocidentais ou da democracia.

Não é, repare-se, uma situação totalmente nova apesar de o ser nesta geração. Nos anos 60 e 70 no terrorismo de grupos como a RAF, as Brigadas Vermelhas ou as FP-25 de Abril eram igualmente europeus a combater os mesmos valores com o mesmo sangue dos seus concidadãos. Tipicamente aparecia a União Soviética ou certos países do Médio Oriente a oferecer bases logísticas, treino de guerrilha, financiamento ou as armas e os explosivos mas a ideologia e a motivação eram de cá, não haja dúvidas nenhumas disso.

Se hoje a motivação, em vez de uma ideologia política radical, é uma motivação igualmente radical de cariz religioso, isso quer dizer que temos de ser mais contidos nas críticas à ideologia radical subjacente do que fomos – alguns, claro – contra os crimes do terrorismo da Guerra Fria? Penso que não. Quem prega o ódio e a morte não merece complacência use o chapéu que usar. E isto que é tão simples às vezes parece muito difícil.

E já agora, a meu ver, também parece que não é pedir muito que terceiros que, por uma associação muito injusta que possa ser, apareçam ligados a estes grupos na opinião pública, possam ser contundentes na sua demarcação com a tal ideologia. Porque, repito-me, não pode haver complacência para ideologias da morte e do ódio.