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Expresso

Das migrações, da Europa e dos crimes

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Faria, provavelmente, sentido que escrevesse hoje alguma coisa sobre Presidenciais. Cá vai: estamos oficialmente perante a campanha mais sem interesse de sempre. Não estou, reparem, a fazer nenhum juízo de valor, nem a perorar sobre o desinteresse geral dos cidadãos com a política ou sequer a prever abstenções catastróficas. Estou a constatar o que me parece ser um facto. Talvez na próxima semana haja algo de mais interessante. Fica uma dica aos candidatos: procurem por instantes perceber o que se exige a um Presidente da República. E não, não é ser um primeiro-ministro suplente.

E porque não só de Presidenciais se cose o mundo, vale a pena não esquecer algumas das outras coisas que ocorrem nestes dias. Em particular os acontecimento da passagem de ano em Colónia que andam estranhamente esquecidos na nossa imprensa. O ataque por cerca de mil homens (!) a dezenas de mulheres, incluindo violações, chocou a Alemanha e o mundo mas as reacções são muito cuidadosas. Compreende-se. O politicamente correcto domina e poucos querem dar um passo em falso: os homens em causa são árabes e africanos.

A Alemanha é um país com uma grande tradição de imigração. O “milagre económico” do pós-guerra fez-se muito com recurso a mão-de-obra estrangeira porque simplesmente havia mais trabalho que alemães. Os portugueses, p.ex., são ainda hoje uma grande comunidade imigrante na Alemanha. Por graça o milhonésimo imigrante na Alemanha era português. Chamava-se Armando Rodrigues de Sá, foi recebido na estação de Colónia com um ramo de cravos (sem conotação política, era 1964) e a oferta duma Zundapp, e tem uma página na wikipédia alemã mais comprida que muitas.

E se a portugueses, italianos ou gregos (o grosso da primeira vaga de imigração) podemos de alguma maneira associar uma proximidade cultural aos alemães – e faze-lo-iamos a meu ver erradamente – a verdade é que a maior comunidade estrangeira a viver na Alemanha é muçulmana (turca) e está bem integrada. Ou pelo menos está-o certamente sem este tipo de incidentes.

De facto a ocorrência deste caso está ligada à nova vaga de imigração oriunda dos países árabes exacerbada e confundida – porque sobreposta – à fuga da guerra na Síria. Aliás, infelizmente, o ataque terrorista em Paris parece ter ligações idênticas. E o pior é que a Europa está a reagir com dificuldade a isso.

Exemplo disso é, por exemplo, é o caso sueco em que agora se descobre que, com conivência da comunicação social, a polícia optou por esconder sucessivos ataques por estrangeiros a mulheres. Falamos portanto da ocultação deliberada pelas autoridades e pelos media de crimes que noutras circunstâncias seriam certamente capas de jornal. E talvez isso seja ainda pior que os crimes.

Um crime é um crime é um crime. Se com novos fenómenos de migração determinados crimes aparecem de uma nova forma não podemos, por medo de sermos politicamente incorrectos, esconder os factos. Aliás, neste país praticam-se crimes há quase 900 anos, quer gostemos ou não, e merecem ser relatados, investigados e punidos – seja quem for que esteja ligado a eles. E se concluirmos que estas migrações proporcionam o aparecimento destes crimes – neste caso o assédio sexual e a violação – então devemo-nos debater com isso e trabalhar sobre esse conhecimento.

Como já disse, a Europa integra com sucesso comunidades muçulmanas em vários países, tenhamos até por causa desses nossos vizinhos - que todos os dias mostram que vivem bem na Europa - alguma calma com o que vivemos estes dias. Mas por respeito às vítimas levemos estes crimes a sério e olhemos com atenção para as suas origens. Quem não respeita o mínimo dos valores da civilização judaico-cristã, certamente passará melhor noutro sítio.