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Expresso

Ainda não há acordo - mas quando houver vai ser espetacular

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Um mês depois das eleições e duas semanas depois de António Costa ter anunciado ao Presidente da República que «estão criadas condições para PS formar governo», aquilo que para já sabemos é que não. Não estão [ainda].

Não estão porque não há [ainda] acordo e porque isso foi condição colocada por António Costa, logo na noite das eleições, para o PS chumbar o programa de governo da coligação - como aliás Carlos César esta semana lembrou. Resta só saber de que condições foi António Costa falar ao Presidente da República, mas isso é la entre eles. Cá fora, o que se conclui, é que Costa foi no mínimo optimista, esperemos que lá dentro tenha sido mais honesto.

Em todo o caso tudo aponta que esse acordo estará para breve e que produzirá fabulosas políticas para o país. Depois de quatro anos de malvados agentes do neo-liberalismo no governo, é um acordo forjado entre socialistas dos bons (de esquerda, não como Soares que era um perigoso direitista), marxistas, estalinistas e trotzkistas (diga estes dois nomes seguidos sem se rir que Estaline está a chorar) que vai salvar Portugal e pôr o país a crescer e o desemprego a baixar. Coisa que já acontece há dois anos, mas não se deixe levar por pormenores. Aliás, quando o Salário Mínimo tiver subido para 600€ e os jovens, as mulheres e os trabalhadores com baixas qualificações tiverem engrossado as fileiras dos desempregados, não se espante. É o que, conclui quem estuda do Salário Mínimo em Portugal, acontece sempre que este sobe desmesuradamente. Mas não se espante também com a condescendência com que isso será aceite pela imprensa e os comentadores. A esquerda tem a melhor das intenções, ao contrário da direita que come proletários ao brunch, portanto se correr mal é uma pena, mas foi tudo com a melhor das intenções.

A esquerda é o urso panda fofinho da política. Aqueles olhos podem lá matar?

Mas se nos abstrairmos das consequências para o país (se for de esquerda este passo é particularmente fácil) os tempos que aí vêm serão muito engraçados. Atente a todas as palavras e a cada vírgula. PS, PCP e BE lutam num conjunto eleitoral que se entregar meia dúzia de deputados a quem já ganhou as eleições desta vez, fica sem maioria no Parlamento. Mas isso nem é o pior. O pior é que o combate dentro desse conjunto ainda é muito mais renhido, afinal o PS acaba de entregar de bandeja o seu flanco direito ao conjunto PSD-CDS. E como tal só há um sítio para onde o PS pode crescer: para o eleitorado do BE.

What a time to be alive!