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Expresso

Tudo o vento leva?

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Sondagens? Leva-as o vento. Mas há uma nota que podemos tirar dalguns cenários que elas oferecem: ou o sucessor de Costa é mais responsável que o próprio (na versão secretário-geral, claro, já que na versão comentador Costa pensava que o PS deveria sempre viabilizar orçamentos da direita) ou a governação em Portugal pode ficar condicionada por partidos da esquerda mais à esquerda, deitando a perder o que alcançámos estes anos. E não, o que alcançámos não é destruído pela resolução do BES.

Em primeiro lugar qualquer análise tem de partir do cenário alternativo para percebermos o custo de oportunidade. Qual teria sido o impacte nas contas públicas, nas privadas e na economia de deixar o BES falir há um ano? É impossível de fazer um exercício contrafactual mas não é difícil de perceber que juntaríamos aos actuais lesados do BES um número muito significativo de clientes e funcionários que se veriam sem poupanças (pelo menos para lá dos 100 mil Euro garantidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos) ou sem emprego. Os efeitos de contágio na restante banca seriam igualmente devastadores. Aliás basta lembrar que a opção pela resolução que o Banco de Portugal tomou mereceu a concordância de todos os sectores da política para perceber que a alternativa assustava comunistas e socialistas por igual.

Quando portanto alguém agora reclama que o défice de 2014 ser corrigido é mau para as contas públicas convinha perceber que a alternativa seria ainda pior. Aliás ainda pior só mesmo nacionalizar – ou seja um “BPN 2” - que tornaria todos os portugueses em lesados do BES, como já somos lesados do BPN.

Ao mesmo tempo vale a pena assinalar que a operação “One-Off”, ou seja pontual e sem efeito de repetição, não deixa lastro para este ano ou para 2016. As metas do défice depois de 2014 são atingíveis com o mesmo esforço que eram antes da correção do défice de 2014 por causa da resolução do BES. E não beliscam a nossa recuperação.

Aquilo que conseguimos como país estes quatro anos vê-se em todas as estatísticas, notícias e indicadores dos últimos meses. É dramático para o PS mas nenhum indicador destoa e como aliás nota-se também na vida das pessoas. Tenho-me juntado na rua aos meus colegas da coligação Portugal à Frente e sendo naturalmente verdade que muita gente ainda tem capital de queixa, também é inegável que a recuperação se faz sentir na vida de muita gente, esse país fora. Não podia deixar de ser: o emprego cresce há mais de dois anos, o desemprego desce. O PIB cresce acompanhando essa realidade, tendo ficado a recessão muito lá para trás. Mais do que crescer, convergimos com a média da UE como nunca tínhamos convergido na primeira década do milénio. Os índices de confiança estão em valores máximos de sempre. Julho foi o melhor mês das exportações de sempre, exportações responsáveis em 85% pela trajetória favorável do PIB.

As notícias da evolução do país continuam a ser unânimes: estamos melhores em todos os indicadores e é natural que quem tenha construído um discurso com base no contrário, agora tenha dificuldade em passar a mensagem. Mas a dúvida que agora persiste face a alguns cenários hipotéticos é se queremos deixar a governabilidade nas mãos dessas forças políticas – cujos caminhos propalados nos passados 4 anos levariam a novos buracos, à irresponsabilidade orçamental, ao segundo resgate (até o terceiro, se conseguissem a proeza do Syriza) e nalguns casos à saída do Euro. Pode Portugal ficar dependente do Bloco ou do PCP? Pode o vento levar os esforços dos últimos anos?